Antigo professor da Escola de Direito foi o fundador da Constituição de Cabo Verde
A Universidade do Minho e a Comissão de Homenagem aos Democratas do Distrito de Braga prestam, hoje, dia 23 de Outubro, um tributo a Wladimir Brito. O professor jubilado da Escola de Direito é uma figura de referência no direito internacional público e constitucional no espaço lusófono.
A cerimónia está marcada para as 15h00, no Salão Medieval da Reitoria da Universidade do Minho, em Braga, com entrada livre. O programa conta com intervenções do Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves (por vídeo), do reitor da UMinho, Rui Vieira de Castro, do coordenador da Comissão de Homenagem aos Democratas do Distrito de Braga, Paulo Sousa, e da professora Assunção do Vale Pereira, da Escola de Direito. O encontro encerra com uma intervenção do próprio homenageado, que assinala, neste dia, o seu 77.º aniversário, e momentos musicais pelo grupo coral Allegretus.
Nascido na Guiné-Bissau e criado em Mindelo, Cabo Verde, Wladimir Augusto Correia Brito foi uma das principais vozes da oposição às ditaduras coloniais e participou, como militar, na Revolução de Abril de 1974. Entre 1975 e 1977, opôs-se aos regimes de partido único na Guiné e em Cabo Verde. Foi o principal redator da Constituição cabo-verdiana de 1992, que marcou a transição democrática do país.
Licenciado, mestre e doutorado em Direito pela Universidade de Coimbra, Wladimir Brito foi professor catedrático da Escola de Direito da UMinho e da Universidade Portucalense. Presidiu o Conselho do Ensino Superior Militar e o Observatório Lusófono de Direitos Humanos, dirigiu as revistas “Scientia Ivridica” e “Revista Jurídica Portucalense” e exerceu advocacia durante quase 50 anos.
Foi distinguido com a Primeira Classe da Medalha de Mérito pelo Presidente da República de Cabo Verde, recebeu ainda o Estatuto de Combatente da Liberdade da Pátria, atribuído pela Assembleia Nacional cabo-verdiana. Conta igualmente com distinções da Marinha do Brasil e da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Além disso, integrou a lista de Conciliadores das Nações Unidas, nomeado pelo Governo português. A homenagem constitui um reconhecimento público de uma vida dedicada à liberdade, à justiça, aos direitos humanos e ao conhecimento, valores que marcaram a sua ação académica e cívica no espaço lusófono.


