Uma viagem sensorial que desafia a visão e a perceção.
Na noite de terça-feira, 4 de novembro, o projeto Braga En’Cena, promovido pela Câmara Municipal de Braga, levou ao palco do emblemático Theatro Circo a peça “Alvorada”. A produção da Tin.Bra- Academia de Teatro apresentou um espetáculo que abordou a experiência da visão e do sonho.
O texto e a encenação de “Alvorada” foram da responsabilidade de Hugo Direito Dias, com a coautoria de Adriana Moreira. A peça contou com a participação da BOCA de CENA – Companhia de Teatro Infanto-Juvenil e do Agrupamento de Escolas de Maximinos, uma referência no ensino de alunos com cegueira e baixa visão.
A inclusão foi um pilar do espetáculo, que convidou os alunos Leonor e Rodrigo a mostrarem ao público o que é ver sem os olhos. A equipa contou ainda com a colaboração da Equipa Espiral, que cedeu a sua coleção de cabeças e cabeçudos, e com Susana Branco para a tradução simultânea em Língua Gestual Portuguesa.
O espetáculo destacou o papel sensorial da música, que se tornou um meio de perceção e de materialização do sonho. A peça, que começou com o palco às escuras e apenas com música e a voz do narrador, utilizou o som para guiar e desafiar o público, reforçando a ideia de que “até na sombra se pode sonhar”.
A história centrou-se em Ruby Crane, uma menina “pequenina, mas capaz de guiar gigantes”, que acompanhava soldados que regressavam cegos da Primeira Guerra Mundial. A sua jornada foi cruzada com a história de Tiago, interpretado por Tiago Guimarães, que simula a cegueira para mostrar como sonham aqueles que nunca viram.
A narrativa conduziu ao alcance da “Alvorada”. No entanto, quando as personagens a atingiram, esta não se tornou visível para a plateia. O desfecho da peça foi marcado por uma câmara que se virou para gravar o público, culminando numa mensagem final transmitida por Leonor: “A alvorada é cada um de nós quando decidimos ser luz na vida de cada pessoa”.
O espetáculo da Tin.Bra proporcionou uma experiência inesquecível e profundamente sentida que marcou o público presente no Theatro Circo, que aplaudiu de pé.


