Faouzia lançou o seu primeiro álbum  dia sete de novembro, após oito anos na indústria da música, onde se destacou com temas de sucesso como Minefields e Tears of Gold. Film Noir marca, também, o início da sua carreira como artista independente. Neste projeto, a cantora marroquino-canadiana convida o ouvinte a viajar numa montanha-russa de emoções ao longo de 11 faixas que captam o seu alcance vocal.

Canadian Immigrant

A primeira música, LOST MY MIND IN PARIS, emerge de imediato quem a ouve na experiência cinematográfica sugerida no título do álbum, com elementos que remetem para a cidade do amor. Desta forma, a ideia de se “perder” nesta metrópole em específico introduz um dos temas mais presentes ao longo do projeto: a violência e opressão que as mulheres podem sofrer dentro de uma relação amorosa.

PEACE AND VIOLENCE é mais um exemplo disso. Lançada no final de setembro, esta segunda faixa foca-se num amor em que a paz é mantida através da promessa da guerra. De seguida, UNETHICAL, uma das músicas mais emocionais e marcantes, dá destaque à manipulação e toxicidade de alguém que nem quer dar perdão.

Faouzia prende-se na língua francesa na quarta faixa, TOUS CES MOTS, numa interpretação emotiva e crua. Apesar da repetição da letra, há um crescendo que culmina numa onda de arrepios causados pela voz da cantora e, por fim, numa conclusão ao piano.

SWEET FEVER surpreende pelo registo mais alegre, totalmente diferente do das faixas iniciais, apesar de Faouzia já ter habituado o público a várias músicas neste estilo. Ainda assim, a letra faz um contraste ao dar continuidade ao tema central de Film Noir. Quanto a DON’T EVER LEAVE ME, música que recebeu um videoclipe dinâmico com a estética a preto e branco do álbum, os seus versos parecem dar destaque à ideia de dependência emocional.

Já em DESERT ROSE, cover da original de Sting, Faouzia explora a sua língua nativa, o árabe. Esta versão é uma prece arrepiante e chega finalmente ao digital depois da cantora a ter interpretado ao vivo pela primeira vez em 2020. A música seguinte, WEIRDO, destaca-se pelo instrumental único e por transmitir a ideia de que, por vezes, uma pessoa pode ter uma ideia esquisita de si mesma enquanto outra a vê como “divinal”.

Tendo sido o primeiro single deste álbum, lançado em abril, PORCELAIN continua a ser a melhor música entre as 11. A letra desta balada foca-se na violência física numa relação, algo que a cantora ainda não tinha explorado. Destacam-se versos como “Desabas com tudo até me encontrares em pedaços e depois / Enches-te de arrependimento, mas em breve te esqueces / E eu fico em ruínas nas tuas mãos”.

Apesar de ORNAMENT não se destacar tanto em termos musicais, a sua letra foca-se no tema da indiferença, mostrando que um “coração pode não ser nada para além de um ornamento”. Por fim, PRETTY STRANGER fecha o álbum como uma canção de embalar. Com uma melodia intemporal, típica de um filme, marca o fim da relação tempestuosa que o álbum acompanha, numa altura em que ex-namorados se tornam “estranhos”.

Film Noir apresenta, assim, todos os ingredientes para que as faixas que o compõem se tornarem clássicos do presente. Além disso, Faouzia confirma que se pode lançar música com qualidade sem a associação a uma gravadora, com um álbum que merece reconhecimento.