A multidão percorreu as ruas principais da cidade até ao momento em que a árvore foi finalmente erguida.
Guimarães viveu este sábado uma das noites mais emblemáticas do seu calendário cultural. Milhares de pessoas ocuparam o centro histórico para acompanhar o cortejo que dá início às Festas Nicolinas, reafirmando ano após ano a força de uma tradição estudantil com séculos de história.
Desde cedo, o som grave dos bombos começou a ecoar pelas ruas, anunciando que o grande pinheiro escolhido para a noite estava prestes a entrar na cidade. O cortejo avançou devagar, com o tronco elevado em carros de bois, acompanhado por estudantes e por quem se juntava espontaneamente para seguir o percurso. A multidão percorreu as ruas principais até ao momento em que a árvore foi finalmente erguida, já perto das três da manhã.
Pelo caminho, a cidade transformou-se num palco de movimento e som, com gente de várias gerações: estudantes atuais, antigos nicolinos e visitantes curiosos que quiseram assistir à tradição. O ritmo constante da percussão, o fumo de pequenas fogueiras e a luz amarelada das ruas criaram uma atmosfera única, que envolveu todo o centro histórico e marcou a noite de forma intensa.
Mais do que um simples desfile noturno, o evento é um símbolo identitário de Guimarães e das suas tradições académicas. A origem remonta ao século XVII, quando os estudantes prestavam homenagem a São Nicolau de Mira, seu padroeiro. Com o tempo, a festa ultrapassou o universo estudantil e transformou-se num património cultural vivo, mantido pela comunidade e transmitido de geração em geração. Este envolvimento crescente da população mostra como tradição, memória e orgulho local continuam a caminhar lado a lado.
Depois do momento de erguer a árvore, muitos participantes permaneceram nas ruas, mantendo o toque dos bombos até de madrugada. Para os vimaranenses e para quem visita a cidade nesta época, o arranque das Nicolinas vai além de uma semana festiva: é um reencontro com a história e com um espírito coletivo que permanece vivo no coração de Guimarães.


