Ethan Hawke é o melhor ator da sua geração, pelo menos foi isso que a revista Esquire afirmou em 2022. Talvez seja a diversidade de papéis que interpreta ou tudo o que faz para além da representação que torna Hawke, que já contracenou com Robert De Niro e Denzel Washington, um ator tão singular. Completa hoje, dia 6 de novembro, 55 anos e foi creditado como ator em 105 projetos diferentes.

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Nasceu em Austin, Texas, no ano 1970. O pai era atuário de seguros e a mãe era professora e trabalhava em caridade. Tornou-se mãe de Ethan Green Hawke com apenas 18 anos. Ambos os pais estudavam na Universidade do Texas quando o seu filho veio ao mundo.

Em 1974, quando Ethan tinha quatro anos, os pais divorciaram-se e o jovem fica a viver com a sua mãe. Juntos mudaram de casa várias vezes, até assentarem em Nova Jérsia, assim que a mãe voltou a casar. Enquanto estudava, Hawke fez voluntariado na organização da mãe, o Alex Fund, que apoia oportunidades educacionais para crianças carenciadas na Romênia. A empatia é, ainda hoje, uma capacidade que o ator relaciona regularmente à sua profissão.

Apesar de aspirar ser escritor, Ethan Hawke desenvolveu um grande interesse pela interpretação. Atuou pela primeira vez com 13 anos, no McCarter Theatre (o mesmo teatro onde frequentava aulas de representação), numa produção de “Santa Joana” de George Bernard Shaw.

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Com 14 anos, participou no seu primeiro casting e foi selecionado para o filme “Os Exploradores”, onde atuou ao lado de River Phoenix. Infelizmente, o desempenho fraco da obra nas bilheteiras teve repercussões na carreira de Hawke e este decidiu afastar-se da indústria.

Ao acabar o ensino secundário, escolheu a Carnegie Mellon University, em Pittsburgh, para estudar representação. Alguns males vêm por bem, e Ethan não finalizou o curso, porque foi selecionado para o papel de Todd Anderson em “O Clube dos Poetas Mortos”. O filme foi um sucesso, lucrando cerca de 220 milhões de dólares, e Todd Anderson tornou-se no papel revelação de Hawke.

O sucesso do drama adolescente de 1989 trouxe com ele novas propostas para o ator. Ethan admitiu ao The Guardian que apesar de já não querer seguir o ramo da representação, “estava a receber propostas para entrar em filmes tão interessantes e para estar em lugares tão interessantes e parecia idiota seguir qualquer outra coisa”.

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Foi assim lançada a carreira do ator que não queria ser ator. “Presas Brancas” ofereceu-lhe o seu primeiro papel principal, ao interpretar um jovem à procura de ouro no vale do Yukon, quando cria uma amizade com um lobo. Em 2005, Hawke descreve a experiência como “a melhor da sua vida na representação”.

Em 1995, protagonizou “Antes do Amanhecer”, o primeiro de três filmes, ao lado de Julie Delpy. Os dois atores principais participaram também na escrita do argumento, em conjunto com o realizador Richard Linklater, que se tornaria um colaborador regular de Hawke. O filme é avaliado a 100% no website de crítica Rotten Tomatoes. No ano seguinte, publicou o seu primeiro livro , “O Estado Mais Quente”. Uma década depois, realizou e protagonizou a adaptação para cinema da obra.

Nos anos seguintes conheceu dois dos atores que diz terem impactado mais a sua vida. Em 1998, atuou ao lado de Robert De Niro em “Grandes Esperanças”, uma reinvenção da obra de Charles Dickens, realizado por Alfonso Cuarón. Juntou-se a Denzel Washington, em 2001, no filme “Dia de Treino”, que conta a história de um polícia novato que entra no departamento de narcóticos da polícia de Los Angeles.

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O ator contou ao The Guardian que esta foi a sua melhor experiência em Hollywood e é assim que conquista uma nomeação ao Óscar de Melhor Ator Secundário. No mesmo ano, estreiou-se como realizador com “Chelsea Walls”, um drama sobre cinco artistas a viver entre as paredes do Hotel Chelsea, em Nova Iorque.

A segunda instalação da trilogia “Before”, “Antes do Anoitecer”, volta a juntá-lo a Delpy e Linklater e o filme é nomeado a Melhor Argumento Adaptado nos Óscares de 2004. Três anos depois recebe mais uma nomeação, mas nos prémios Tony, pelo seu papel como Mikhail Bakunin na peça “The Coast of Utopia”.

Em 2013, com “Antes da Meia-Noite”, voltou a ser nomeado ao lado dos colegas Delpy e Linklater, mais uma vez na categoria de Melhor Argumento Adaptado. No mesmo ano, protagonizou o filme de terror “A Purga”, situado num futuro em que todo o crime é legal durante uma noite por ano. Atualmente, Hawke não é desconhecido dentro do género, tendo alcançado recentemente sucesso com a franquia “O Telefone Negro”.

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Lançado em 2014, “Boyhood” de Richard Linklater, segue a vida de um rapaz americano dos seis aos 18 anos, com Hawke no papel de seu pai. O filme acabou por ser dos mais bem avaliados do ano e conquistou para o ator várias indicações, nomeadamente para o Óscar, BAFTA e Globo de Ouro para Melhor Ator Secundário.

A carreira de Ethan Hawke é muitas vezes imprevisível, é conhecido por participar tanto em filmes independentes como em blockbusters de Hollywood. A arte do cinema orienta as suas escolhas, deixando para segundo plano o sucesso comercial. Será que a aversão de Hawke à glória cinematográfica é o que o torna num ator tão extraordinário? Que toda a arte que o envolve enriquece o seu ofício? O próprio admite: “Estou sempre a colocar-me em situações nas quais não sou especialista. Mas o foco principal para mim sempre foi a atuação. Tudo serve esse propósito. Sempre acreditei que, para ser um bom ator, é preciso compreender todos os aspetos complementares”.

Ethan Hawke regressou este ano aos braços de Richard Linklater, no filme biográfico de Lorenz Hart “Blue Moon”. 2025 marca quatro décadas de carreira com o lançamento de mais três projetos, “She Dances”, “O Telefone Negro 2” e “The Lowdown”.

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