Oscar Fingal O’Flahertie Wills Wilde nasceu a 16 de outubro de 1854, em Dublin, e morreu: a 30 de novembro, há 125 anos. Desde cedo, Wilde revelou um espírito sensível, inteligência e talento para a escrita.

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O escritor frequentou a escola Portora Royal School em Enniskillen e, posteriormente, beneficiou de bolsas para estudar na Trinity College Dublin (1871–1874) e depois na Magdalen College, Oxford (1874–1878), onde se destacou como estudioso dos clássicos, poeta, orador e figura de elegância e charme. Foi durante este período que Oscar Wilde absorveu ideias que moldariam a sua visão: inspirado pelos ensaios de pensadores como John Ruskin e Walter Pater, adotou a convicção de que arte e beleza deveriam exercer um papel central na vida humana, aspetos que marcaram bastante as suas obras.

Nos anos 1880, Wilde instalou-se em Londres e tornou-se numa figura marcante nos círculos sociais e literários. Publicou o seu primeiro livro de poemas em 1881, e nos anos seguintes dedicou-se também ao jornalismo e à crítica. A partir de 1888, iniciou um período de grande criatividade: publicou contos para crianças, contos fantásticos, ensaios e, sobretudo, preparou o terreno para suas obras-primas.

Oscar Wilde foi um dos principais porta-vozes do movimento estético do final do século XIX e defendeu a arte pela arte, a beleza, o estilo e a liberdade criativa como valores essenciais. O autor irlandês deixou muitas obras, com críticas sociais que continuam a fazer sentido até aos dias de hoje.

Não podemos falar de Oscar Wilde sem falar de O retrato de Dorian Gray (1890), um romance gótico que condena a busca pela beleza eterna e os limites entre a aparência e o carácter.  Wilde também escreveu diversas peças de teatro, também muito marcadas por críticas e socias e sátiras, como: Lady Windermere’s Fan (1892), A Woman of No Importance (1893), An Ideal Husband (1895) e The Importance of Being Earnest (1895), onde usa ironia para expor a hipocrisia dos seus contemporâneos.

Oscar Wilde foi condenado a prisão, em 1895, após perder um processo imposto pelo pai do seu amante, Alfred Douglas, que chocava com os valores vitorianos da época. Enquanto cumpria a sua pena, Wilde escreveu uma carta para a sua paixão, que foi, posteriormente, editada e publicada com o título De Profundis (1905), marcada por autorreflexão, arrependimento e sofrimento.

Omnes

Libertado em 1897, Wilde mudou-se para a França, pobre, exilado e profundamente marcado pela humilhação pública e pela sua saúde precária. Nos seus anos finais, escreveu apenas mais uma obra significativa: The Ballad of Reading Gaol (1898), um poema que denuncia a crueldade do sistema prisional e expressa a dor e a empatia de quem viveu a prisão.

Morreu em Paris no dia 30 de novembro de 1900, com apenas 46 anos, vítima de meningite, resultado de uma infeção no ouvido agravada pelas más condições de saúde e pobreza. Apesar da sua queda drástica e da censura que sofreu, Oscar Wilde permanece como uma das figuras mais fascinantes, controversas e influentes da literatura em língua inglesa. As suas críticas continuam bastante atuais e relevantes e4 convidam a uma reflexão profunda sobre a sociedade e as suas obras continuam a ser lidas, encenadas, traduzidas e reinterpretadas.