No dia 17 de novembro, o Poeta da Cidade (Pedro Freitas) marcou presença na livraria Centésima Página, em Braga, com uma sessão de podcast ao vivo inserida no programa do Festival Utopia. O evento destacou-se pelo caráter intimista, apesar da sala cheia, e proporcionou momentos de reflexão sobre a relação entre ciência e literatura.

Inês Margarida de Sousa I ComUM

Durante a sessão, foram abordadas questões como o preconceito persistente sobre as áreas das humanidades e a perceção de que as ciências teriam maior relevância social. O Poeta da Cidade sublinhou que a língua, a comunicação e a interpretação são ferramentas essenciais em qualquer área do conhecimento, científica ou não, reforçando que nenhum conhecimento surge sem uma linguagem que o sustente.

O seu discurso incluiu também uma análise crítica do modelo de ensino, apontando a desvalorização de disciplinas como Português face a áreas como Matemática ou Físico-química, apesar da necessidade de competências linguísticas para o pensamento crítico. Defendeu, ainda, que a ciência e a literatura se completam, sendo formas distintas de compreender o mundo que não precisam de ser incompatíveis. Pedro Freitas destacou ainda o papel transformador dos professores que contrariam esta ideia, referindo a influência decisiva de um docente na sua própria paixão pela poesia e pela arte.

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Para além disso, a sessão incluiu momentos de declamação de textos de cientistas-poetas portugueses, entre os quais José Saramago e Miguel Torga, assim como a leitura da crónica “Juro que não vou esquecer”, de António Lobo Antunes. A referência ao prefácio de Os Bichos, de Miguel Torga, reforçou a ligação entre observação científica e introspeção literária.

O Poeta da Cidade terminou com a reforçando a literatura como necessidade humana essencial. Apresentada como um espaço de encontro com o mundo exterior e instrumento de aproximação entre leitores, promove atenção, sensibilidade e abertura mental.