The world i didn´t want é o segundo álbum de estúdio de Natalie Jane, juntando-se assim a Where am I? na sua discografia. O disco foi lançado a 24 de outubro deste ano, antecedendo-lhe dois videoclipes e dois lyric vídeos. Este explora relacionamentos, sentimentos de insegurança e a realidade da casa dos 20. Durante toda a experiência de ouvir este álbum é possível notar um grande trabalho em termos de efeitos sonoros, vocais e arranjos musicais, que destacam o poder da voz de Natalie Jane.
An1 but myself é a primeira peça deste álbum que reflete o sentimento de não ser suficiente, de estar sempre atrasada e a correr contra o tempo. Esta emoção é claramente demonstrada pelo arranjo musical do refrão. Já 4ever é uma espécie de ultimato a alguém que queremos agora e para sempre, mas que parece estar a escapar.
R u gonna love me? fala-nos de reciprocidade: esta exigência tão simples, mas tão difícil de obter quer ao nível de intensidade quer a nível temporal (“Through all the worst fights and the what if’s”). É também certo que na casa dos 20 encontramos muitas pessoas, umas com a intensidade certa, mas no tempo errado, umas com os tempos certos, mas falta algo e umas que nos dão tudo, mas esse tudo não é suficiente. Fidding u questiona-nos sobre como é suposto seguir em frente quando encontramos a última e não a podemos ter.
O amor é na verdade uma sucessão de quedas até cairmos ao mesmo tempo e no mesmo lugar que outra pessoa e às vezes apaixonamo-nos por alguém que se está a apaixonar por outra pessoa. Fallin é a tradução dessa situação, uma peça musical muito bem construída quer liricamente quer musicalmente.
E porque as butterflies no estômago são um dos sinais de nos estarmos a apaixonar, por vezes queremos voltar a essa fase e ficar por lá, sem a mágoa que pode vir a seguir (“How dare you to make me feel stupid for loving you in the first place”). Já gone deixa-nos a pensar naquele ditado de “quem não sabe o que quer perde o que tem”.
Parte de nos apaixonarmos aos 20 é criarmos expectativas na nossa cabeça e dar muito valor às pequenas coisas. Everything 2 nothing fala-nos sobre ter tudo e na realidade não ter nada. Breaking me desacelera o álbum, não deixando de lado os vocais muito bem conseguidos.
Aos 20 anos, haverá sempre alguém que volta, que bate à porta e espera ser recebido com um sorriso na cara. How u been fala-nos disso, mas também de como às vezes a maturidade é tão fingida como a superação. Never gonna c u again, mais que uma música, é um pedido para nunca mais conviver com a pessoa que nos destruiu e que não podemos fingir que não existe.
É difícil sobreviver aos 20 sem amigos, mas é totalmente impossível fazê-lo sem as mulheres certas ao nosso lado. Girls will be girls torna-se, assim, num hino às mulheres que estão sempre lá. O álbum acaba com Black & White, que nos lembra que a cor é posta na nossa vida pelas pessoas que amamos e sem elas tudo fica em tons de cinza.
Álbum: the world i didn’t want
Artista: Natalie Jane
Editora: Capitol Records e 10K Projects
Data de Lançamento: 24 de outubro de 2025



