O mês de outubro trouxe de volta uma das fases mais emblemáticas da carreira de Tory Lanez: The New Toronto 2. Lançado originalmente em 2017 como uma mixtape, este álbum ganha agora uma edição oficial nas plataformas digitais. Com 13 faixas e cerca de 52 minutos, o projeto, que durante anos circulou apenas entre os fãs mais dedicados, chega com o peso de uma obra de transição.

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Com uma sonoridade que mistura trap e melodias de R&B cortadas por melancolia, o álbum mostra Tory no auge da sua confiança criativa, e é um disco menos polido que os seus álbuns de estúdio, mas mais autêntico. Faixas como Dopeman Go, Came Thru e Set It Off x Better trazem a energia característica dos primeiros anos do rapper.

Porém, The New Toronto 2 não é isente de falhas. A extensão do projeto e o tom repetitivo de algumas faixas tornam-no desequilibrado. Lanez, embora convincente, por vezes perde-se na sua própria fórmula, insistindo em temas e estruturas já familiares. O resultado é um trabalho com momentos brilhantes, mas também zonas de conforto que o impedem de atingir a força harmónica de um álbum.

No entanto, há algo que nos puxa para revisitar este registo. No seu conjunto, The New Toronto 2 funciona como um tributo às raízes do artista — um Tory Lanez faminto por reconhecimento. É um álbum que captura a energia de um artista em ascensão, com todas as suas contradições e excessos, e que, mesmo oito anos depois, mantém a chama do seu som original.

Para quem procura evolução ou experimentação sonora, pode parecer uma viagem familiar demais. Ainda assim, esta reedição não é apenas nostálgica, é também uma reafirmação de identidade. Tory Lanez pode ter evoluído e diversificado o seu estilo, mas este álbum lembra-nos onde tudo começou.