A cantora portuguesa Tatiana Duarte lançou o seu primeiro extended play. Ao longo das seis faixas de Tua ou de Mais Ninguém, Duarte demonstra ter uma noção muito clara da música que deseja criar e expressar.
A canção de abertura dá nome ao EP, começando com dedilhados em guitarra que, ao chegar ao pré-refrão, encontram uma batida dançável. A voz de Tatiana Duarte é aveludada, um timbre ideal para o pop, que completa os versos provocadores. Linhas como “com o teu ego namoras ao espelho sem te cansares” são “canetadas” afiadas.
Na faixa inicial já se sabe qual a atmosfera presente em todo o disco: Tua ou de Mais Ninguém é um projeto com uma sonoridade sensual, de batidas catchy e acordes acústicos. As letras, da autoria de Tatiana Duarte com o contributo de outros compositores, são delicadamente poéticas e agressivamente pessoais.
Santa Paciência, o segundo tema, segue igualmente esta estrutura musical, apenas acrescentando aqui e ali cordas orquestrais. Contudo, a faixa passa um tanto despercebida, pelo menos comparada com a seguinte canção.
Quem ouve Apneia pela primeira vez, facilmente se apaixona pela canção, rapidamente decora o refrão e, no mínimo, abana um bocado os ombros com a batida. O single mescla uma lírica repleta de alegorias e metáforas, com um ritmo levemente caribenho. Apneia transmite a sensação leve e relaxante de se estar à beira-mar. Para além disso, nota-se a presença de imagens narrativas como a de respiração ou falta de ar, algo já presente nas faixas anteriores. É ainda mostrada outra faceta da voz de Tatiana Duarte: os falsettos suaves.
Ao chegar ao quarto tema, a narrativa do EP começa a ficar mais clara. Ao longo do projeto, é contada a história de um relacionamento de “vaivéns” e traições. Ambos os envolvidos fazem mal um ao outro, mas não conseguem viver sem a relação conflituosa. Cada uma destas canções é como uma carta de Duarte nunca enviada ao destinatário. Tua ou de Mais Ninguém explora constantemente o conceito de uma pessoa se sentir posse de alguém. Em Parva parece que a relação irá terminar de vez, mas na faixa seguinte ocorre uma Outra Vez. Porém, sonoramente, estes temas não se destacam.
A esta altura do EP, o uso da guitarra para introdução de cada música já ficou repetitivo. Os instrumentais das canções parecem todos iguais, o que é entediante e maçador. Talvez seja por escapar à fórmula estabelecida desde o início que a faixa final sobressai.
As notas do piano em Mais Pequena reforçam a fragilidade das rimas. Tatiana Duarte canta quase num sussurro, como se segurasse lágrimas. Esta canção pode ser a mais curta, mas é a mais concentrada emocionalmente. A eu lírica entende que merece melhor, mas não consegue superar a pessoa que amou outrora. O EP fecha com um fade out da voz que se torna cada vez mais pequena. Torna-se deveras fascinante ouvir como a produção foi capaz de traduzir o cansaço emocional com este pormenor.
Tua ou de Mais Ninguém é uma estreia forte nos trabalhos de longa duração, apresentando uma identidade artística já bem definida. As letras e a voz de Tatiana Duarte são o grande destaque, revelando-se amostras da possibilidade de excelência em discos e singles futuros.
No entanto, ao longo destas seis canções, há pouca variação no estilo de produção musical. O começo é atraente e o final impactante, com uma faixa a meio que não sai da cabeça. Porém, as restantes músicas não têm um fator distintivo que as faça ficar na memória.
Tua ou de Mais Ninguém: uma estreia forte
Nome: Tua ou de Mais Ninguém
Artista: Tatiana Duarte
Data de Lançamento: 03 de outubro de 2025
Editora Discográfica: Tatiana Duarte (Artista Independente)



