“As pessoas pensam que a intimidade tem a ver com sexo, mas intimidade tem a ver mesmo é com a verdade”
Com essa premissa, começa o livro “Os Sete Maridos de Evelyn Hugo”, escrito por Taylor Jenkins Reid. A obra apresenta-se como como uma biografia ficcional de uma grande estrela da época de ouro de Hollywood que, aos 79 anos, decide finalmente contar a sua história. Para isso, Evelyn Hugo escolhe Monique Grant, uma jovem jornalista, pouco conhecida e aparentemente sem ligação ao seu passado, para escrever o seu relato.

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De início, o título promete escândalos tipicos de uma vida “hollywoodiana”: sete maridos, sete histórias, sete divórcios. No entanto, rapidamente se percebe que a história não se foca nos homens com quem Evelyn se casou, mas sim nas decisões que ela tomou para sobreviver num mundo que exige beleza e obediência. Hollywood surge como um lugar de oportunidades, mas também como um lugar de violência, onde as mulheres são constantemente forçadas a negociar quem são para manter o que conquistaram.
Evelyn faz questão de acabar com a curiosidade das pessoas sobre a sua vida, num dos momentos mais marcantes do livro. Quando Monique pergunta se ela se importa de ser conhecida pelos “sete maridos de Evelyn Hugo”, a resposta é fácil:
“Não. Porque eles são apenas maridos. Eu sou a Evelyn Hugo.”
Taylor Jenkins Reid cria Evelyn como uma pessoa cheia de contradições: vaidosa, ambiciosa, esperta, mas também frágil e ciente do preço que pagou por suas decisões. O livro não tenta transformá-la numa heroína, mas também não a diminui como uma vilã. Evelyn erra, manipula, ama, mente e assume tudo isso com uma sinceridade que incomoda.
“A decepção amorosa é uma perda. O divórcio é um documento”
Um dos pontos fortes da obra é a forma como fala sobre a sexualidade e como as relações entre pessoas do mesmo sexo foram apagadas da história, principalmente numa época em que assumir a própria identidade podia significar o fim de uma carreira. O amor, aqui, não é uma solução, mas algo complicado, às vezes doloroso e muitas vezes escondido.
A forma como Reid escreve é leve e cativante, quase como um filme. Com capítulos viciantes e uma história que alterna entre o passado e o presente, a leitura torna-se bem rápida. O livro aborda vários temas emocionantes e sensíveis, mas é de propósito: “Os Sete Maridos de Evelyn Hugo” quer provocar no seu leitor questionamentos éticos e morais, colocando-o no mesmo lugar da protagonista.
“Desconfie de homens que precisam muito provar alguma coisa”
Outro aspeto que se destaca é a forma como a história parece uma biografia real, com tantos detalhes que é quase é possível acreditar que Evelyn Hugo existiu. Os filmes, os prêmios, as capas de revista são colocados na história de uma maneira tão única que parece que o leitor está acompanhar a vida real de uma estrela que o tempo esqueceu.
No final, o livro não é sobre os seus casamentos, mas sobre o poder de contar a sua própria história, construir a própria narrativa e sobre assumir o que foi sacrificado para ser lembrada para sempre. Evelyn Hugo não quer que sintam pena dela, nem que a perdoem. Pretende apenas que a sua verdade, seja contada.
Título original: The Seven Husbands of Evelyn Hugo
Autora: Taylor Jenkins Reid
Editora: Atria Books (EUA); Topseller / Penguin Random House (Portugal)
Lançamento: 13 de junho de 2017 (EUA); 2021 (Portugal)
Género: Romance contemporâneo / Ficção histórica / Drama


