O ano de 2025 está quase a terminar e, por isso, os redatores do ComUM relembram os melhores álbuns, filmes, séries e livros que o marcaram.

 

Música

DeBÍ TiRAR MáS FOToS, Bad Bunny – DeBÍ TiRAR MáS FOToS é o disco que fez com que Bad Bunny fosse o artista mais ouvido de 2025. O músico porto-riquenho tornou-se numa das principais figuras do pop “con reggaetón y dembow”, mas também graças a géneros como a salsa. De NUEVAYoL até LA MuDANZA, o álbum transforma-se num baile inolvidável. Dança-se entre a mágoa de um coração partido e o desgosto de ver a terra natal a ser arruinada pelos mais diversos fatores. Estas músicas uniram culturas dos hemisférios norte e sul, de leste a oeste. Sentadas em cadeiras de plástico, as pessoas viram-se representadas ao ouvir um dos melhores álbuns de 2025. DeBÍ TiRAR MáS FOToS ficou na memória e tornar-se-á num clássico. – Carolina Sepúlveda

Something Beautiful, Miley Cyrus – A última sexta-feira de maio foi agraciada pelo lançamento do nono álbum de estúdio da artista norte-americana. Something Beautiful mistura R&B, jazz, rock e pop, sendo  o trabalho mais ousado da cantora até hoje e uma demonstração do seu potencial no auge da carreira. A estética é cuidadosamente trabalhada ao redor do glamour de Hollywood e alinha-se perfeitamente com a proposta conceitual. As músicas, que contam com participações de nomes como Naomi Campbell, Brittany Howard, Lindsey Buckingham e Mick Fleetwood, exploram temas como a escuridão, o renascimento e o amor. Miley Cyrus criou uma viagem hipnótica, inovadora e, acima de tudo, genuína. – Diogo Linhares

Beleza. Mas agora a gente faz o que com isso?, Rubel – Num registo diferente do habitual, Rubel lançou o álbum Beleza. Mas agora a gente faz o que com isso?, um trabalho sincero e vulnerável. A emoção sempre esteve presente no seu percurso, mas aqui ganha um caráter ainda mais íntimo e próximo. Entre o violão e letras carregadas de sentimento, o artista cria um espaço de conforto que soa mais contido e pessoal do que nos trabalhos anteriores. É um álbum leve, mas que sabe acolher, oferecendo ao ouvinte um abraço apertado, quase como um lugar seguro. Neste disco, a riqueza poética das palavras encontra-se com uma maturidade evidente, revelando um Rubel mais atento, calmo e consciente do que quer dizer. Numa atmosfera simples e despretensiosa, o músico aproxima-se da bossa nova com naturalidade, surpreendendo também com covers profundas e inesperadas.– Carlota Machado

Man’s Best Friend, Sabrina Carpenter – Não seria possível terminar o ano sem destacar o diário de relações que Sabrina Carpenter expõe em Man’s Best Friend, um álbum que percorre as suas experiências com os homens de maneira irónica e envolvente. Ao misturar os géneros pop, RGB e country, a cantora explora as suas frustrações e romances passados e, ainda, brinca com as fragilidades masculinas através de letras repletas de trocadilhos e sarcasmo, mas sem deixar de lado a sua devida profundidade. Para além disto, a sua produção vai desde sintetizadores modernos a instrumentação real, o que é reforçado com grooves e harmonias marcantes. Esta diversidade musical resulta num som polido, que funciona tanto para as faixas mais dançantes quanto para aquelas mais introspectivas. Desta forma, ela explora como é namorar nos tempos modernos através do humor e da franqueza emocional, o que faz com que milhares de pessoas possam identificar-se com suas músicas, como Manchild e Never Getting Laid, e tê-las em modo repetitivo ao longo de 2025. – Laura Gentil

Everyone´s a Star, 5 Seconds of Summer –  O ano de 2025 foi marcado pelo regresso da banda 5 Seconds of Summer, com o lançamento do seu novo álbum Everyone´s a Star. Este pretende reimaginar as características da banda, com sons que remontam aos Gorillaz e ao The Weekend. Para além de possuir uma estética completamente diferente daquilo que a banda já havia feito, recorre a referências dos anos 80 e 90, como NSYNC e Backstreet Boys. O álbum consegue afirmar-se como um claro ponto de viragem da banda e estabelecer-se como o início de uma nova era. – Giovana Garcia

 

Filmes

O Quarteto Fantástico O filme O Quarteto Fantástico: Primeiros Passos apresenta a clássica equipa das bandas desenhadas da Marvel Comics para uma nova geração. Com um elenco repleto de estrelas, entre elas Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Joseph Quinn e Ebon Moss-Bachrach, a obra consegue criar uma dinâmica familiar perfeita, o que imediatamente aproxima o espectador das personagens. A estética retro-futurista, alinhada à realização de Matt Shakman, destaca-se como um dos grandes pontos do filme, proporcionando uma identidade distinta face a qualquer outro filme do universo Marvel. Os efeitos especiais combinados com efeitos práticos, são bastante atrativos e elegantes, principalmente os envolvidos na criação das personagens Galactus e Coisa. Desta forma a longa-metragem reinventa a equipa para os cinemas, trazendo algo novo em relação a versões anteriores, ao mesmo tempo que consegue trazer uma sensação retro na sua estética, consolidando-se como um dos grandes acertos da Marvel Studios nos últimos anos. – Tiago Gomes

K-POP Demon Hunters K-POP Demon Hunters brilha numa época em que o futuro da animação é incerto. Enquanto remakes em live-action ou sequelas indesejadas chegam às grandes telas, e a IA generativa se torna cada vez mais avançada e atrativa para as corporações, a produção da Sony Pictures reafirma o efeito mágico que um filme animado original pode proporcionar. As luzes noturnas e paisagens distópicas e coloridas da Coreia definem a sua identidade visual, combinando com um estilo de animação fluída e satisfatória de observar. O álbum de canções da longa-metragem, que alcançou o topo dos rankings do Spotify, trouxe ao mundo ocidental o sabor do célebre género musical do Oriente. Através de uma história simples e encantadora, a mensagem melódica de Demon Hunters ressoou com o mundo, quebrando inúmeros recordes e tornando-se no filme mais assistido do catálogo inteiro da Netflix. – Nuno Moreira

Wicked: Pelo Bem Wicked: Pelo Bem destacou-se em 2025 como um marco cinematográfico pela sua capacidade de transformar uma história já conhecida numa reflexão sobre assuntos contemporâneos, como a identidade, exclusão e responsabilidade moral. Esta sequência tão aguardada vai além do entretenimento musical ao analisar as consequências das escolhas individuais dentro de um sistema que valoriza a conformidade e pune a diferença. A carga emocional da narrativa, aliada a atuações profundas e a uma banda sonora que reforça os conflitos internos dos personagens, elevou a obra a outro patamar. Wicked: Pelo Bem destacou-se assim, como uma obra que soube dialogar sobre os assuntos do presente e provocar reflexão no público.  –  Catarina Couto

 

Séries

Adolescence Entre os lançamentos do ano, Adolescence destacou-se pelo forte impacto social que gerou, atingindo múltiplas gerações. A minissérie expõe cruelmente a forma como o ódio contra as mulheres, o ressentimento e a frustração masculina se infiltram no quotidiano dos adolescentes, muitas vezes alimentados por discursos normalizados nas redes sociais. Simultaneamente, a série aponta para a ausência ou incapacidade dos pais em acompanhar emocionalmente os filhos, demonstrando como o silêncio, a desinformação e a falta de diálogo contribuem para a normalização destes comportamentos. Sem recorrer à amenização dos factos, Adolescence obriga o espectador a confrontar-se com uma realidade desconfortável, mostrando como a combinação entre isolamento emocional, referências tóxicas e falta de orientação pode ter consequências profundas. Mais do que entretenimento, a série funciona como um alerta urgente e como um espelho da sociedade contemporânea. – Leonor Machado

Alice in Borderland (Temporada 3) – O regresso de Alice in Borderland para a terceira temporada foi recebido calorosamente pelos fãs, ansiosos por mergulhar novamente neste universo carregado de tensão e mistério. Novamente encurralados na versão pós-apocalíptica de Tóquio, os protagonistas Arisu (Kento Yamazaki) e Usagi (Tao Tsuchiya) retornam para uma tentativa final de desvendar a verdade por detrás dos jogos mortais. As tensões atingem um novo pico, enquanto a narrativa envolvente aprofunda temas de identidade e sacrifício. O desfecho é emocionante e intenso, colocando novamente em causa a linha ténue entre a realidade e a ilusão. As atuações magnéticas de um elenco cheio de talento, aliadas às aparições especiais de personagens estimadas de temporadas anteriores, destacam este lançamento como um dos melhores de 2025. – Eva Correia

Dept. QDept. Q marcou 2025 pelo seu sucesso, pela narrativa envolvente e, acima de tudo, pelas suas personagens memoráveis. Carl Mork, interpretado por Matthew Goode, afirma-se como a personagem mais marcante da série britânica. Neste suspense policial, acompanha-se Mork quando assume a liderança de um novo departamento da polícia, criado para resolver casos arquivados em Edimburgo. Ao longo desta temporada, o seu grupo de investigadores peculiares, mas talentosos, enfrenta os desafios das investigações de forma eficaz, embora pouco convencional. São precisamente as características únicas de cada personagem que elevam Dept. Q a uma série de grande qualidade e envolvência, sustentada por um mistério bem construído e uma narrativa que mantém o espectador constantemente cativado. O sucesso alcançado já garantiu a renovação de Dept. Q para uma segunda temporada, prometendo dar continuidade ao sucesso deste original da Netflix de 2025. – Bárbara Santos

Heated Rivalry O ano de 2025 na produção televisiva não estaria completo sem mencionar o fenómeno cultural que foi Heated Rivalry. Adaptado da aclamada série de romances Game Changers de Rachel Reid, esta produção da Crave, distribuída pela HBO Max, rapidamente se estabeleceu como um dos grandes destaques do ano. A rivalidade intensa, bem como a paixão secreta entre Shane Hollander e Ilya Rozanov, as duas estrelas do hóquei no gelo, ganhou o coração do público. A série não só dominou as conversas nas redes sociais, tornando-se a série mais vista na plataforma de streaming, como também provou que existe espaço na linha do mainstream para histórias de amor slow-burn. Com personagens complexas e uma química inegável, graças aos atores Hudson Williams e Connor Storrie, Heated Rivalry consolidou-se como uma das melhores estreias do ano. – Bruno Correia

Stranger Things (Temporada 5) – Nove anos após a sua estreia, as personagens de Stranger Things retornaram uma última vez para comover e cativar os espectadores durante os meses festivos. Com episódios longos e um elevado nível de produção, traço característico dos criadores Matt e Ross Duffer, a temporada final procura responder às questões deixadas em aberto e ainda introduzir reviravoltas surpreendentes na narrativa. Mesmo com as alterações no percurso das personagens, os episódios conseguem despertar um forte sentimento de nostalgia e envolver novamente o público no fictício universo sobrenatural. Reaviva, de forma memorável, a essência de Stranger Things e reafirma o impacto duradouro que teve no panorama televisivo, tornando-se um dos melhores e mais esperados lançamentos do ano. – Letícia Rocha 

 

Literatura

Amanhecer na Ceifa, Suzanne Collins – A nova prequela do universo Hunger Games de Suzanne Collins foi um dos destaques do ano de 2025. Desta vez, a narrativa acompanha os 50º Jogos da Fome com Haymitch Abernathy como tributo do Distrito 12. O livro faz um excelente trabalho em cativar os leitores, pois mesmo os fãs, que já esperavam a história há muitos anos e conheciam o seu desfecho trágico, conseguiram estabelecer uma conexão rápida e emocionante com as personagens. A obra também serve como uma grande crítica à sociedade atual, explorando os efeitos da propaganda e, até, a inteligência artificial. A adaptação fílmica chega aos cinemas em 2026, prometendo novamente uma montanha russa de emoções.– Maria Ribeiro

O Sobrevivente quer morrer no final, Adam SilveraEste ano, uma das leituras mais marcantes foi O Sobrevivente quer morrer no final, o terceiro livro da coleção de Adam Silvera. Nesta história, os personagens descobrem que vão morrer quando recebem uma chamada da Death-Cast, uma empresa que liga às pessoas à meia-noite do dia em que a sua morte vai acontecer. A partir desse momento, sabem que aquele será o último dia das suas vidas, mesmo sem saberem como ou quando tudo irá terminar. Diferente dos outros livros, onde os personagens morrem no final, este não segue exatamente a mesma linha, e talvez seja precisamente essa diferença que o torne ainda mais forte. O livro aborda o suicídio, um tema profundamente delicado, de uma forma sensível e envolvente, permitindo que nós, leitores, entremos na mente do personagem, compreendendo os seus pensamentos e medos. É uma leitura intensa e muito bem conseguida, que prova que a coleção continua a surpreender, mantendo viva a esperança de que o inevitável não aconteça, mesmo quando já sabemos como a história vai terminar.- Ísis Páris