O tão esperado álbum do produtor australiano Kevin Parker, Deadbeat, finalmente chegou. Após cinco anos de inatividade, o artista lança mais um disco com batidas de que todos já tínhamos saudades, mas que conseguem surpreender-nos sempre.
My old ways, a primeira música do álbum, é uma introdução perfeita ao mesmo. Tame Impala descreve a vontade de voltar a certos vícios, mas que na luta contra a potencial recaída, entra num processo de depressão. A batida e o ritmo parecem uma mistura de sons e géneros musicais, que coincidem com esta disputa e que nos dão vontade de dançar e sentir as melodias.
A música mais viral do álbum, Dracula, rapidamente provocou sentimentos contraditórios entre o público. É uma canção com uma batida sombria, que merece o seu mérito, mas que não parece enquadrar-se nas composições de Tame Impala. A sua letra, apesar de viciante, mostra-se curta e pouco sentimental. Parece que o seu sentido se vai quebrando, tornando-a mais relevante pela sua batida original.
Loser é definitivamente a melhor música do álbum. Transmite um clima relaxante e imersivo, que destaca cada instrumento e a voz característica do autor. Enquadrando-a na “história” do álbum, pode dizer-se que é o pico da tristeza, o início de uma depressão, pois o amor não é correspondido. É um exemplo perfeito da estética de Impala, alucinadora e invulgar.
Piece of Heaven descreve perfeitamente o sentimento de flutuar numa nuvem, de sair do corpo e simplesmente sentir a leveza. No entanto, tem uma particularidade, que pode quebrar esta sensação. Para “fechar” a canção, a batida muda completamente, prevalecendo apenas uma voz ecoada de Tame Impala e uma melodia baixa. Estes elementos permitem tornar a música irreal, uma espécie de “fever dream”.
Deadbeat é um álbum que, inicialmente, parece ser básico e propício a apenas sentir as batidas. As junções de harmonias que, apesar de diferentes, aparentemente são simples, fazem crer que não passa de mais um álbum comum, mas ao prestar atenção às letras, percebemos que se torna mais do que isso.
O poder artístico que o multi-instrumentalista detém torna qualquer junção de palavras num universo psicadélico e mágico. A sua forma original de produção distingue-o de qualquer artista e torna-o um dos mais prestigiados da atual indústria musical. É devido a esta reflexão que Currents (2015), o seu terceiro álbum, sempre será a sua maior e mais famosa obra de arte. Apesar de Deadbeat ser um álbum expectável para um artista como Tame Impala, deixa um pouco a desejar considerando as suas criações anteriores.
Artista: Tame Impala
Álbum: Deadbeat
Editora: Columbia Records
Data de lançamento: 17 de outubro de 2025



