Francis Scott Key Fitzgerald nasceu a 24 de setembro de 1896 e faleceu no dia 21 de dezembro de 1940, há 85 anos. O escritor norte-americano viveu para criar e contar histórias. Fitzgerald mostrou, desde cedo, talento e interesse pela literatura, estando os seus romances repletos de crítica social e reflexões acerca da vida humana.

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O romancista frequentou a Universidade de Princeton, embora não tenha concluído a licenciatura, uma vez que se alistou no exército para lutar na I Guerra Mundial. No entanto, foi nesses anos que o autor se destacou nos círculos literários e desenvolveu o gosto pela escrita de peças de teatro e contos. Foi durante este período que Fitzgerald se moldou como pessoa e começou a criar a sua visão do mundo. O escritor era fascinado pela vida boémia e pelo sucesso, mas consciente das discrepâncias entre classes sociais e da exclusão que a falta de riqueza provocava. Inspirado pelas mudanças socioculturais do pós-Guerra, Scott Fitzgerald adotou a ideia de que a juventude e a beleza eram tão valiosas quanto o dinheiro num mundo em rápida transformação, aspetos que marcaram profundamente a sua obra.

Nos anos 20, Fitzgerald instalou-se em Nova Iorque e Paris, tornando-se, ao lado da sua mulher, Zelda, um dos rostos da “Geração Perdida”. Publicou o seu primeiro romance, “Deste Lado do Paraíso” (1920), que se tornou, rapidamente, num sucesso que consolidou Fitzgerald como um dos autores em ascensão da década. O livro permitiu ao romancista viver o estilo de vida extravagante que tanto admirava. Seguiu-se um período de intensa produtividade, onde consolidou a escrita de contos para revistas de prestígio.

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O autor norte-americano foi um dos principais porta-vozes da “Idade do Jazz”, título que ele próprio ajudou a popularizar, e explorou temas como a decadência, a moralidade, o idealismo romântico e a resistência à passagem do tempo. Não podemos falar de F. Scott Fitzgerald sem mencionar “O Grande Gatsby”, publicado em 1925. O romance explora e analisa a futilidade do sonho americano, ideia que se tornou popular depois da Guerra, e a tragédia de um homem que acredita poder recuperar o passado através da fortuna.

Fitzgerald utilizou a sua escrita para fazer críticas sociais que continuam atuais. O autor focava-se na ilusão dos estatutos sociais e na fragilidade da felicidade construída apenas sobre dinheiro. A sua escrita reflete a desilusão de uma era que, tal como a atual, parecia obcecada pelo excesso e pela imagem.

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Apesar do sucesso inicial, a vida de Fitzgerald foi também marcada por algumas dificuldades. O declínio da saúde mental de Zelda e o seu próprio combate contra o alcoolismo. Os seus livros perderam popularidade durante a Grande Depressão e o seu último romance, “Suave é a Noite” (1934), não foi bem recebido na época, embora hoje seja considerado um dos retratos mais honestos da decadência emocional de uma elite privilegiada.

Mudou-se para Hollywood, onde desenvolveu uma carreira de argumentista pouco sucedida. Foi lá que morreu, aos 44 anos, acreditando ser um fracasso. Contudo, o tempo acabou por provar o contrário. As suas palavras sobre a busca incessante por algo inalcançável: “e assim prosseguimos, barcos contra a corrente, incessantemente lançados para o passado”, permanecem como um dos encerramentos mais icônicos da literatura mundial e uma reflexão profunda acerca da experiência humana.