A voz inconfundível e o fraseado elegante de Frank Sinatra tornaram-no uma das figuras mais influentes e duradouras da pop no século XX. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, dos palcos ao cinema, tornou-se um ícone da cultura popular americana.
Francis Albert Sinatra nasceu a 12 de dezembro de 1915 em Hoboken, New Jersey. Filho único de imigrantes italianos, descobriu a paixão pelo jazz muito cedo e imitava os cantores que ouvia na rádio, sendo particularmente influenciado por Bing Crosby. Aos 16 anos, Sinatra foi expulso da A. J. Demarest High School por mau comportamento e não concluiu o ensino secundário.
A partir daí, Sinatra trabalhou como ardina e operário nas docas da Jérsia, ao mesmo tempo que cantava na rádio e em clubs de Hoboken. A partir de 1935, Sinatra integrou pequenas bandas locais até ser descoberto por Harry James, com quem gravou seus primeiros temas, que alcançaram pouco sucesso comercial. Quatro anos depois, juntou-se à orquestra de Tommy Dorsey, que foi como um pai para o cantor, com quem lançou o seu primeiro hit da Billboard: Imagination.
Nos anos 40, Sinatra tornou-se um fenómeno cultural graças à devoção das bobby soxers, adolescentes que lotavam salas de concerto para ouvi-lo. O cantor mudou-se para Hollywood e foi nomeado para o Óscar de Melhor Canção Original em 1946, com I Fall in Love Too Easily, do filme Anchors Aweigh, no qual contracenou com Gene Kelly. A sua carreira cinematográfica foi curta e, nesse ano, lançou o primeiro álbum a solo, The Voice of Frank Sinatra, transitando de crooner das big bands para artista independente e dando início a uma discografia emblemática.
Os rumores de infidelidade com a atriz Ava Gardner começaram a ocupar os holofotes quase tanto quanto a sua música, culminando no divórcio com Nancy Barbato. Depois de um curto período de declínio, Sinatra voltou a alcançar o estrelato em 1953 no regresso ao cinema, em From Here to Eternity, distinguido com 8 Óscares, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator Secundário, atribuído ao cantor americano.
Nas duas décadas que se seguiram, Sinatra redefiniu a música popular com uma série de álbuns conceptuais, trabalhando com arranjadores como Nelson Riddle e Billy May. A sua presença dominante no cinema e na televisão solidificou a persona sofisticada que o acompanharia por toda a vida, tornando-se uma estrela mundial. A partir do final dos anos 60, na sequência do lançamento de My Way, enfrentou uma fase descendente, com mudanças no panorama musical e sucessivas pausas na carreira.
Apesar de regressos bem-sucedidos e momentos de renovada popularidade (New York, New York e um álbum conjunto com Tom Jobim), nas décadas de 70 e 80, o ritmo abrandou e Sinatra entrou num período de despedidas graduais, preservando a aura de lenda que havia construído ao longo da sua trajetória. Nesse período, a sua filha mais velha, Nancy Sinatra, já era uma cantora destacada.
Os olhos e a personalidade de Sinatra valeram-lhe as alcunhas de “Chairman of the Board” e “Ol’ Blue Eyes”. O cantor combinava um magnetismo intenso com uma generosidade muitas vezes lembrada por colegas e amigos. Durante muitos anos, foi um destacado apoiante do Partido Democrata, estabelecendo uma forte amizade com John F. Kennedy, aproximando-se, mais tarde, dos republicanos Richard Nixon e Ronald Reagan. Lutou contra o racismo e recusou-se a atuar em salões que tivessem práticas discriminatórias. A confiança, a lealdade e a impulsividade refletiam o homem complexo por trás do ícone, capaz de conciliar convicções fortes com laços pessoais.
Frank Sinatra morreu em 1998, encerrando uma vida marcada tanto por rumores persistentes de ligações à Máfia, nunca comprovados, quanto pelo respeito universal pelo seu talento. O seu legado artístico prevaleceu, desde a voz inconfundível, a reinvenção do álbum como forma de expressão, a influência duradoura sobre cantores de várias gerações e a presença indelével na cultura do século XX.



