José Eduardo Agualusa completa 65 anos de idade este sábado, 13 de dezembro. Estudou Agronomia e Silvicultura, mas foi na literatura que encontrou o seu maior propósito. Ao longo da carreira, o autor nascido na cidade de Huambo, em Angola, tem sido distinguido com os mais variados prémios literários pela singularidade dos seus romances.

Visão

Independent, Dublin Literary Award e o Grande Prémio de Literatura RTP são apenas alguns dos prémios galardoados a obras de Agualusa, editadas pela Quetzal e traduzidas para mais de 30 idiomas. A situação política de Angola é um dos temas mais desenvolvidos pelo escritor, que atualmente vive entre Portugal e Moçambique.

Em entrevista ao Jornal de Negócios, Agualusa partilhou que a inspiração para as suas histórias, que começou a mostrar ao mundo em 1989, pode ter diversas origens. No caso do livro “O Vendedor de Passados”, um sonho deu lugar a um conto que publicou no Público, onde foi cronista, e esse conto passou a algo mais aprofundado. Já a obra “Mestre dos Batuques”, de 2024, surgiu em seguimento da anterior. A ligação temática entre os dois livros reforça a forma como Agualusa constrói universos que se prolongam para além de uma única obra.

Para quem pretende iniciar a sua jornada de exploração da escrita de José Eduardo Agualusa, recomenda-se “A Vida no Céu – romance para jovens e outros sonhadores”. Apesar das diferentes associações que o título possa sugerir, a obra foca-se num imaginário em que o ser humano se vê compelido a viver entre as nuvens depois de um dilúvio. Capaz de apaixonar leitores de qualquer idade, o livro é escrito de forma simples, mas rica, estando repleto de reflexões tocantes e curiosidades que alertam para um possível cenário em consequência do aquecimento global.

“Ninguém finca raízes nas nuvens. Às vezes sonho com árvores. Sonho com carvalhos, oliveiras. Sonho até com eucaliptos. Lá na Terra, eu antipatizava com os eucaliptos. Agora, se voltasse a encontrar um eucalipto, abraçar-me-ia a ele. Pedia-lhe perdão.” (A Vida no Céu)

A temática do sonho está presente em vários dos livros de Agualusa, fazendo com que a sua forma de pensar poeticamente sobre a mesma seja facilmente identificável para quem os lê. Em “A Sociedade dos Sonhadores Involuntários”, de 2017, um jornalista angolano sonha com pessoas para ele desconhecidas. Como se pode verificar na contracapa desta obra, o autor Mia Couto chega a considerar José Eduardo Agualusa como “um tradutor de sonhos”.

“Você sabe que uma pessoa passa, em média, ao longo da vida, seis anos sonhando? Tem de haver algum sentido nisso…” (A Sociedade dos Sonhadores Involuntários)