Semanas após se despedir dos palcos na digressão que teve início em Lisboa, Tate McRae aperfeiçoa o seu mais recente disco com o novo deluxe. Lançado a 21 de novembro, SO CLOSE TO WHAT??? (deluxe) acrescenta cinco faixas ao original, que equilibram o alter-ego “Tatiana” e a versão mais vulnerável da estrela pop.

Beth Saravo

Evidentemente inspirada pelas suas últimas separações, a artista verte os seus mais profundos sentimentos nestas novas músicas. Da raiva e solidão até à sua recém-descoberta liberdade, McRae cativa o ouvinte com uma sonoridade mais madura, até agora, inexplorada.

A 26 de setembro, a artista já prenunciava à possibilidade do projeto através da envolvente TIT FOR TAT, que rapidamente angariou centenas de milhões de reproduções. Neste tema, nascido no rancor que sente quanto à sua última relação, McRae combina sentimentos de traição com respostas astuciosas e estrategicamente construídas. As emoções sombrias que atravessam este single surpresa, são disfarçadas pela batida e refrão contagiantes, que se entranham na mente do ouvinte por dias a fio.

A máscara cai em TRYING ON SHOES, uma faixa reflexiva onde McRae admite tentar todos os possíveis para ofuscar as próprias emoções. A fusão entre o arranjo dos violinos e a deslumbrante voz da artista transforma a faixa num momento especial, servindo como abertura ideal para o disco.

No seguimento desta atmosfera introspetiva, HORSESHOE revela a confusão de McRae ao sentir emoções negativas que contrastam com a sua vida aparentemente perfeita. Progressivamente, a música deixa transparecer que o fim da sua relação a deixou profundamente ferida. A batida é interessante e os vocais mantém o nível das restantes faixas do disco, mas, ainda assim, não se destaca onde outras composições assumem o protagonismo.

Em contraste absoluto com as anteriores, ANYTHING BUT LOVE surge como uma descarga total de raiva, sustentada por letras tão agressivas e exageradas que acabam por ser cómicas. Entre versos como “My dog hates you and I do too” e “I asked all of California, they all happy that you moved”, McRae conquista o ouvinte através de uma escrita feroz que encaixa com eficácia na batida pop com influências trap e R&B.

NOBODY’S GIRL, segundo single da obra, descreve o momento em que a artista transforma o final da relação numa oportunidade de crescimento e autodescoberta. Ao recorrer a um registo vocal falado, próximo de spoken word, a faixa apresenta uma sonoridade inédita que se revela eficaz. A ponte afirma-se como verdadeiro pináculo da obra, contendo um dos melhores exemplos líricos de McRae ao evocar uma “conversa com anjos” que relembram “Real love doesn’t clip your wings”.

Sem dúvida alguma, este deluxe foi uma ótima adição ao disco original. Ao explorar temáticas de grande alcance emocional, Tate McRae assegura uma forte ligação com o público. Com a experimentação vocal e rítmica, a cantora prova que é capaz de continuar a evoluir o seu som, despertando entusiasmo para futuros projetos.