Lançado a 26 de setembro de 2025, The Art of Loving é o segundo álbum da cantora inglesa Olivia Dean. Após o sucesso que foi o seu primeiro disco, Messy (2023), Olivia mostra-nos um novo lado mais íntimo, maduro e complexo, reconhecido pelas suas letras emotivas e melodias suaves. Este novo trabalho demonstra não só evolução artística, mas também uma maior segurança na construção do seu próprio universo musical.

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Ao longo das 12 faixas, Dean conduz o ouvinte numa experiência auditiva sensível e emocional, refletindo a sua evolução artística. São abordados temas como aceitação, amor-próprio, amizade e, sobretudo, as diferentes facetas do amor – tanto romântico como platónico.

O álbum inicia-se com a faixa introdutória The Art of Loving (intro), uma composição curta que, à primeira audição, pode passar despercebida aos menos atentos. No entanto, nos seus 40 segundos de glória, conquista pelo carácter etéreo do instrumental e pelos vocais delicados, funcionando como uma amostra do universo sonoro que se segue.

Segue-se Nice To Each Other, que funciona como uma porta de entrada otimista, com um ritmo leve que celebra a gentileza e reciprocidade no amor. Esta faixa estabelece assim um tom emocional positivo, que se destaca tanto pela sua composição lírica tanto como pela produção suave e bem construída, que reforça o ambiente caloroso da música.

Passamos então para duas faixas que mostram um lado mais vulnerável, com letras sensíveis. Close Up e Loud, a artista fala sobre as suas inseguranças no relacionamento retratado, confessando: “Cause you don’t make it easy, now I won’t close u / I can’t tell if you need me or want me all that much” (Close Up) e “Cause we went straight to lovers / So we can’t even talk as friendssilence is so loud” (Loud).

Por outro lado, So Easy (To Fall In Love) e Man I Need são claramente destaques em termos de popularidade, trazendo melodias contagiantes, energia e confiança. Estas demonstram a capacidade do álbum de equilibrar vulnerabilidade com ritmo, contribuindo para a sua forte receção por parte do público. São músicas que rapidamente se tornam favoritas devido ao seu refrão memorável e ao espírito leve que carregam.

I’ve Seen It é a faixa que encerra o álbum e fá-lo da forma mais agradável possível, com um instrumental suave e letra que faz o ouvinte se relacionar com o que ouve. Termina com uma mensagem positiva na qual a cantora reflete sobre a presença do amor na sua vida e reconhece que, para além de estar ao seu redor, este encontra-se também dentro de si.

The Art of Loving, apesar da sua curta duração, distingue-se por trazer inovação numa geração marcada por conteúdos rápidos e descartáveis. A coerência entre as faixas cria um ambiente íntimo e organizado, tornando a audição envolvente. Também se deve destacar a sua produção, que embora simples, é suficiente para completar a estética criada à volta das músicas.

O álbum não procura arriscar e evita exageros: a voz de Olivia Dean é a protagonista e as suas letras só o reforçam, mesmo que acompanhadas por elementos como piano suaves, toques de jazz/soul, harmonias cuidadas e instrumentação minimalista. Esta contenção traduz se numa estética intimista e elegante, que prioriza a emoção e proximidade.

Apesar dos seus pontos fortes, a verdade é que o álbum poderá não agradar todos os entusiastas de música, uma vez que, que em alguns momentos, especialmente nas faixas menos marcantes, o estilo tende a soar um pouco repetitivo e demasiado “seguro”. Ainda assim, para quem é fã de um projeto coeso que segue sempre o mesmo fluxo, este é ideal e, por isso, merece a atenção e reconhecimento que tem recebido.

Com The Art of Loving, Olivia Dean, consolida os fãs que havia conquistado com os seus primeiros trabalhos e atrai novos ouvintes com a sua energia radiante, tanto dentro como fora dos palcos. O álbum confirma-a como uma artista em crescimento, capaz de transformar experiências pessoais em canções, sem sacrificar a sua autenticidade.