Lançado a 21 de novembro de 2025, WONDER marca o terceiro álbum de estúdio de Papillon e, segundo o mesmo, encerra uma trilogia, iniciada por Deepak Looper (2018) e por Jony Driver (2022). O nome Papillon (borboleta, em francês) é escolhido de forma minuciosa e simboliza a metamorfose pela qual o cantor passou, com um crescimento pessoal e artístico, concluído por este novo álbum.

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WONDER traz uma riqueza emocional que reside na forma como o artista enfrenta estas memórias, identidades, medos e heranças. Cada faixa a funcionar como uma entrada para as diferentes fases da sua vida, com cada uma delas a serem essenciais para a construção desta narrativa.

¡WOW!, a segunda faixa deste álbum, destaca-se pelo impacto inicial que traz na audição do ouvinte, com o alerta para o deslumbramento perante a vida e a consciência da mudança. É uma letra que carrega muito entusiasmo, energia e movimento, mas que também assinala o peso que vem com cada etapa, onde Rui Pereira, o nome real do rapper, entende que crescer dói, mas também nos liberta.

Segue-se ¡OI RIO! que se apresenta como um momento de contemplação, onde Papillon observa que a vida é algo que corre, mas que não espera por nós, escapando das nossas próprias mãos, mesmo quando achamos que estamos tão seguros. Durante a música, existe uma sensação de diálogo com o tempo, questionando aquilo que deixamos para trás e esperando aquilo que está para vir, mas mesmo assim, ¡OI RIO! é o espelho da mudança constante que nos está a acontecer.

Já em ¡A MÃE TE AMA!, o rapper português abre uma das janelas mais íntimas do álbum, com o foco a virar-se para as suas raízes, para aquelas figuras que o moldaram, fazendo com que ele se tornasse na pessoa que é hoje, principalmente para a sua mãe. Esta faixa funciona quase como uma carta cheia de emoções enviada à sua “Mama” (forma como ele se refere à sua mãe diversas vezes durante a canção), reforçando a ideia que ela é um dos principais pilares de resistência para as fases mais difíceis da sua vida. Aqui, a voz do artista suaviza e os restantes efeitos sonoros abraçam a ternura do tema, como se fosse uma respiração profunda que nos acalma antes de voltarmos aos nossos medos.

O auge emocional chega com ¡SOMOS!, uma das canções mais profundamente humanas da carreira de Papillon, onde nós, como ouvintes, sentimos realmente que temos um ser humano do outro lado. Aqui, o artista expõe as suas quedas e os seus renascimentos, fazendo com que ¡SOMOS! soe como um ponto final emocional do álbum. Mesmo sem o ser, pois é a música onde o artista abraça o próprio passado e aceita tudo aquilo que ficou para trás, sendo grato por todas as histórias que já viveu, pois sabe que o que realmente fica na terra são as memórias e as marcas que cada um de nós deixa nos outros.

Em conclusão, WONDER realiza uma pequena crítica à forma como nós vivemos num ritmo acelerado e superficial, sem realmente aproveitar as pequenas coisas que este mundo tem para nos oferecer, como as relações familiares. Papillon constrói uma narrativa de reconstrução, onde o abismo existe, mas não é destino, pelo menos não para ele, onde este torna-se o seu ponto de partida. No fim, este ponto final na trilogia marca-nos pelas suas letras e monólogos profundos, onde cada música constrói uma ponte entre passado e futuro, entre queda e ascensão, entre medo e coragem.