A Criada, a sensação mundial que impressionou leitores, escrito por Freida McFadden, foi adaptada para um filme. Chegou às salas de cinema no dia 1 de janeiro de 2026, acompanhado de muita expectativa.
Este drama psicológico conta com a atuação de Sydney Sweeney (Millie Calloway), Amanda Seyfried (Nina Winchester), Brandon Sklenar (Andrew Winchester), Michele Morrone (Enzo Accardi) e com a realização de Paul Feig. Todos contribuíram para contar a história de Millie, uma jovem em dificuldades e com um passado frágil, que, após uma entrevista, é aceite para trabalhar como criada numa casa luxuosa, pertencente a um casal aparentemente perfeito, Nina e Andrew. Porém, Millie rapidamente se vê emaranhada numa casa marcada por comportamentos estranhos, jogos de poder e segredos perturbadores. Desde os primeiros minutos, a obra deixa clara a falsa aparência da família e a tensão psicológica que acompanhará o espectador o resto do filme.
No desenrolar da narrativa, A Criada contém um constante desconforto psicológico. Neste filme, a tensão vem de diálogos incoerentes, silêncios e atitudes estranhas, confusas e até frustrantes, que vão revelando a instabilidade emocional das personagens. Por isso, a adaptação cinematográfica consegue preservar o espírito do livro.
Com a grande reviravolta da história, que acontece a partir da segunda metade do filme, dá-se uma mudança drástica na narrativa, apresentando ao espectador uma perspetiva completamente diferente. A partir daí, o filme exibe cenas perturbadoras que deixam o público tenso e em constante estado de expectativa, na melhor forma possível, até ao último minuto.
Um ponto extremamente forte neste filme é a dinâmica entre Millie e Nina. As duas personagens foram sustentadas por interpretações excelentes que desempenharam um papel crucial no impacto do filme. Sydney Sweeney e Amanda Seyfried brilharam ao dar vida às duas personagens complexas e intensas, cuja relação desequilibrada e psicologicamente tensa faz do filme a obra eletrizante que é.
Todavia, Enzo, uma personagem que contribui significativamente para a narrativa no livro, teve uma presença pouco frequente no ecrã, pelo que o filme não privilegiou tanto a sua existência como o livro. Isto constitui um ponto fraco
Mesmo assim, o final de A Criada não desiludiu e fez jus à obra literária, deixando o espectador de queixo caído, rendido à história e com um sentimento de justiça. As cenas macabras apresentadas a partir da segunda metade do filme fizeram permanecer os arrepios nos espectadores, o que confirma o sucesso da obra enquanto thriller psicológico intenso e perturbador.
Em suma, o filme está extremamente bem constituído e, maioritariamente, fiel à obra literária. Apesar das pontuais alterações, estas justificam-se no ecrã e mostram-se eficazes no que toca a deixar o espectador completamente vidrado no filme. Do início até ao fim, A Criada prende pela intensidade psicológica perturbadora e brilhante.
Título original: The Housemaid
Realização: Paul Feig
Elenco: Sydney Sweeney, Amanda Seyfried, Brandon Sklenar, Michele Morrone, Indiana Elle
Origem: EUA






