O concorrente pretende ser, como Presidente da República, o “Guardião último da democracia”

Com 50 anos de atividade política, António Filipe é um dos candidatos à Presidência da República. O político afirmou na sua declaração de candidatura que “é a candidatura de um comunista, com a confiança e o apoio dos seus camaradas, mas rejeita que a queiram limitar às fronteiras de uma afirmação partidária”.

António Filipe Gaião Rodrigues tem 62 anos. Nasceu em Lisboa em 28 de janeiro de 1963. É jurista e professor universitário. Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (1986), é Mestre em Ciência Política, Cidadania e Governação pela Universidade Lusófona (1999) e Doutor em Direito Constitucional pela Universidade de Leiden (2013). Para além disso, é coautor da Legislação Fundamental de Governo Local e Administração Autárquica e da Enciclopédia da Constituição Portuguesa.

O candidato foi membro da União de Estudantes Comunistas aos 12 anos, em 1975. É membro do Partido Comunista Português (PCP) desde 1983 e membro do Comité Central desde 1992. Foi deputado entre 1989 e 2022 e, novamente, entre 2024 e 2025. Foi Vice-Presidente da Assembleia da República em três legislaturas (2005-2009, 2011-2015 e 2019-2022) e é membro da Direção do Grupo Parlamentar do PCP desde 1990.

Na sua campanha, o jurista tem expressado uma forte preocupação com Portugal e com a maioria política de direita, pretendendo com a sua candidatura “reequilibrar” o panorama político nacional. O candidato mostra uma atenção especial ao âmbito social, nomeadamente no direito à saúde, educação e segurança social. Na sua candidatura, defende o aumento da habitação pública e a derrota do pacote laboral, assim como o fim dos exames nacionais e o fim das propinas. Ao ser questionado sobre como faria cumprir estes objetivos apesar dos poderes limitados do Presidente da República (PR), António Filipe declarou que os poderes podem ser restritos, “mas devem ser exercidos”, tendo a obrigação, como PR, de cumprir as suas competências constitucionais.

No âmbito da política internacional, o professor universitário defende o fim da ajuda militar à Ucrânia, optando por colaborar no esforço diplomático para o fim do conflito. O candidato afirma também que “Portugal devia ter uma voz própria” nos órgãos internacionais, não se subordinando às grandes potências.