Ex-líder do Bloco de Esquerda apresenta candidatura presidencial após mais de uma década de percurso parlamentar.
Catarina Martins avançou com uma candidatura à Presidência da República assumindo a corrida a Belém como um passo coerente com o seu percurso político e cívico. A antiga coordenadora do Bloco de Esquerda tem defendido que o Presidente da República deve desempenhar um papel ativo na defesa da Constituição, dos direitos fundamentais e da qualidade da democracia, usando a sua influência institucional e a palavra pública para chamar a atenção para as desigualdades sociais e fragilidades estruturais do país.
Nascida no Porto, em 1973, Catarina iniciou o seu percurso profissional fora da política institucional, ligada às artes cénicas. Licenciada em Teatro, trabalhou como atriz e encenadora, experiência que frequentemente refere como determinante na sua sensibilidade social e na forma como comunica em espaço público. A aproximação à política surgiu através do ativismo cultural e social, integrando o Bloco de Esquerda desde a sua fundação.
Eleita deputada à Assembleia da República em 2009, a deputada destacou-se ao longo de vários mandatos parlamentares, assumindo a coordenação do Bloco de Esquerda entre 2012 e 2023. Durante esse período, foi uma das protagonistas da vida política nacional, nomeadamente no contexto da solução governativa apoiada à esquerda. Enquanto líder partidária, participou ativamente na negociação de vários Orçamentos do Estado que introduziram ou reforçaram medidas como o aumento do salário mínimo, o apoio às pensões, a redução das propinas e a gratuitidade de manuais escolares.
A candidata define a sua candidatura como “pessoal e não partidária”, embora esteja historicamente associada a um campo político ligado à esquerda. Defende uma presidência atenta à democracia participativa e à proteção dos direitos humanos, afirmando que o chefe de Estado deve ser uma garantia de equilíbrio entre os poderes e um vigilante face a retrocessos sociais ou democráticos. Entre as posições que têm marcado o seu discurso estão a crítica a leis que considera excludentes, como alterações à lei da nacionalidade, e a rejeição de entendimentos institucionais com forças políticas que, na sua perspetiva, colocam em causa valores democráticos.
A candidatura de Catarina Martins apresenta-se, assim, como uma proposta assente na defesa do Estado Social e na valorização da cidadania ativa. A antiga dirigente do Bloco de Esquerda assume a intenção de exercer o cargo de forma atenta às desigualdades e ao cumprimento da Constituição, defendendo um papel ativo do chefe de Estado na salvaguarda da democracia e no equilíbrio entre os órgãos de soberania.


