O ex-ministro e ex-presidente do PSD tem raízes profundas no Minho.
“Chegou o momento de retribuir ao país”. Foi com estas palavras que Luís Marques Mendes, ex-presidente do PSD, ex-ministro e comentador político, justificou a sua decisão de avançar como candidato à Presidência da República em 2026, destacando a experiência acumulada ao longo de décadas de serviço público e a convicção de poder contribuir para a estabilidade e o diálogo.
Luís Marques Mendes nasceu a 5 de setembro de 1957 em Guimarães. Filiou-se no PSD aos 16 anos – partido que o pai, António Marques Mendes, presidente da Câmara Municipal de Fafe durante o Estado Novo, ajudou a fundar. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e começou a exercer advocacia, em Fafe, logo após.
A carreira política de Marques Mendes iniciou muito cedo, chegando a vereador do Município de Fafe com apenas 19 anos. Foi adjunto do governador civil do Distrito de Braga e assumiu funções governativas pela primeira vez em 1985, primeiro como secretário de Estado e terminando como Ministro Adjunto no último governo de Aníbal Cavaco Silva.
Entre 1996 e 1999, foi presidente do grupo parlamentar do PSD, então liderado por Marcelo Rebelo de Sousa. Voltou a assumir funções ministeriais com Durão Barroso, em 2002, que lhe entregou a pasta dos Assuntos Parlamentares. Marques Mendes liderou a oposição ao governo maioritário de José Sócrates, do Partido Socialista, entre 2005 e 2007.
Ausente da vida política desde então, dedicou-se à atividade profissional e, posteriormente, ao comentário político, durante quase uma década. Em abril de 2016, tomou posse como membro do Conselho de Estado. Marques Mendes anunciou que seria candidato à Presidência da República em fevereiro de 2025 – um lugar que lhe parecia destinado pelo percurso que fez na televisão, à semelhança do atual chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa.
O ex-líder do PSD tem enfatizado, desde a primeira sessão da sua candidatura, em Fafe, o seu “sentido de utilidade pública”, a “capacidade de diálogo”, a defesa de “reformas” e o compromisso democrático. Embora tenha o apoio do seu partido de sempre e do CDS-PP, que integra a Aliança Democrática (AD) e o governo, promete ser “imparcial” e “independente” em Belém. A “ética” e a “transparência” também têm sido bandeiras de Marques Mendes nesta campanha, apesar dos ataques dos seus adversários.
A candidatura do ex-governante foi formalizada em dezembro, com a entrega de 9.530 assinaturas, acima do limite mínimo exigido de 7.500. Ao entrar na corrida a Belém, o candidato quer ser o “árbitro” do sistema político e defender a estabilidade, numa eleição presidencial que promete ser a mais renhida dos últimos 50 anos.


