Conhecido pelo humor irreverente e pela liderança dos Ena Pá 2000, Manuel João Vieira voltou a entrar na corrida presidencial.

Manuel João Vieira apresentou sua candidatura à Presidência da República, pela quinta vez, reafirmando um percurso político tão improvável quanto consistente. Músico, performer e artista plástico, o vocalista dos Ena Pá 2000 assume o papel de candidato satírico, cruzando irreverência, humor e provocação para expor aquilo que considera ser o verdadeiro “absurdo da política”.

Nascido em Lisboa em 1962, Vieira formou-se em Belas-Artes e construiu uma carreira marcada pelo “nonsense” e pela crítica social disfarçada de exagero. Enquanto líder dos Ena Pá 2000, criou um universo próprio de personagens e narrativas que desafiam o bom senso e ridicularizam convenções sociais. Esse mesmo universo estende-se agora, mais uma vez, à arena política.

As propostas com que se apresenta são assumidamente surreais: um Ferrari para cada português, vinho canalizado em todas as casas, fontes de bagaço nas ruas, patinadoras russas para todos os homens, dançarinos cubanos para todas as mulheres e até um botão capaz de resolver todos os problemas nacionais. Longe de serem promessas eleitorais no sentido tradicional, estas ideias funcionam como metáforas críticas, expondo o vazio de muitos discursos políticos reais e a facilidade com que soluções simplistas são vendidas como milagres.

Insistindo na promessa “só desiste se for eleito”, Vieira aborda temas centrais do debate político de outros partidos, prometendo soluções caricatas. Dentro do tema da imigração, um dos focos principais do discurso da extrema-direita, o candidato propõe tratamentos para clarear a pele das pessoas mais escuras e escurecer a das pessoas mais claras, para uniformizar o tom de pele de todos os que vivem em Portugal.

A candidatura foi formalizada em dezembro, com a entrega de cerca de 12.500 assinaturas no Tribunal Constitucional, um número bastante superior ao mínimo legal de 7.500 exigido para concorrer às eleições presidenciais. Manuel João Vieira já tinha avançado anteriormente para a corrida a Belém em 2001, 2006, 2011 e 2016.