Chloe Celeste Hosterman, conhecida artisticamente como Dove Cameron, completa 30 anos esta quinta-feira numa fase profundamente diferente daquela que a apresentou ao grande público. Se há alguns anos o seu nome estava inevitavelmente ligado ao universo Disney e à representação televisiva, hoje é na música que a artista norte-americana tem vindo a construir a sua identidade mais pessoal e consciente.

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Filha de Philip Alan Hosterman e Bonnie Wallace, nasceu em Seattle, Washington, a 15 de janeiro de 1996. Passou parte da infância e adolescência entre os Estados Unidos e a Índia, onde os pais trabalhavam, experiência que contribuiu para uma visão do mundo mais aberta e diversa desde cedo. Dove Cameron cresceu num ambiente familiar ligado às artes e à criação. Por esse motivo, a sua formação artística começou ainda em criança, com aulas de teatro e canto, áreas que viriam a moldar profundamente o seu percurso profissional.
A perda do pai durante a adolescência marcou não só a sua vida pessoal, mas também o modo como passou a encarar a criação artística, algo que viria a refletir-se, anos mais tarde, na carga emocional das suas canções. A escolha do nome “Dove”, a forma carinhosa como o pai a tratava, tornou-se, desde então, um símbolo de memória e transformação.
O sucesso chegou cedo com Liv and Maddie (2012), série da Disney Channel onde interpretava gémeas, papel que lhe trouxe reconhecimento internacional e vários prémios, incluindo um Daytime Emmy Award. Seguiram-se projetos como a franquia Os Descendentes, que consolidaram a sua imagem enquanto ícone juvenil e rosto familiar da cultura pop da década de 2010. A carreira musical de Dove Cameron foi impulsionada pelas músicas icónicas da banda sonora de Descendentes como “Rotten to the Core” (2015) e “If Only” (2015).

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Apesar de sempre ter cantado, muitas vezes integrada nas bandas sonoras das produções em que participava, a música só se tornou um espaço verdadeiramente autoral a partir de 2019, com o lançamento do single “Out of Touch”. Ainda assim, foi nos anos seguintes que a artista encontrou uma voz própria, afastando-se do pop mais convencional e aproximando-se de uma sonoridade alternativa, marcada por produções minimalistas e atmosferas sombrias.
Canções como Boyfriend (2022), Breakfast (2023) ou Too Much (2025) representam um ponto de viragem claro. A música de Dove Cameron passa a assumir um tom confessional, onde temas como identidade, sexualidade, trauma e autonomia feminina surgem sem filtros evidentes.
Esta fase artística acompanha também uma maior exposição pessoal. Assumidamente bissexual, Dove Cameron tem utilizado a música como um meio de afirmação e liberdade, transformando experiências individuais em matéria artística. Mais recentemente, a artista entrou numa nova etapa da sua vida pessoal ao anunciar o noivado com o músico Damiano David, vocalista da banda italiana Måneskin.

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Nos últimos anos, o seu trabalho no panorama musical trouxe reconhecimento com grandes nomeações e distinções. Em 2022, venceu o prémio Best New Artist no MTV Video Music Awards. No ano seguinte foi reconhecida com o prémio Video for Good.

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Hoje, Cameron afirma-se como uma figura singular na indústria musical, ao mesmo tempo que continua a expandir o seu percurso enquanto atriz. Entre os seus projetos futuros destaca-se o thriller erótico 56 Days, no qual assume o papel principal, marcando uma clara rutura com os seus trabalhos anteriores e reforçando a sua versatilidade artística.
Ao celebrar mais um ano de vida, Dove Olivia Cameron surge como autora da sua própria narrativa. A música tornou-se o espaço onde pode existir sem máscaras, isto é, um território onde a fragilidade não é fraqueza, mas linguagem artística. Mais do que revisitar o passado, o presente da artista aponta para um percurso que continua em construção, guiado por uma voz que finalmente aprendeu a ouvir-se a si própria.


