O relatório destaca o papel dos municípios no abastecimento e na segurança alimentar na Galiza e no Norte de Portugal.

O Eixo Atlântico apresentou, na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, o Relatório Socioeconómico Anual de 2024, dedicado ao abastecimento e à segurança alimentar na Galiza e no Norte de Portugal. O documento foi elaborado por Fernando González Laxe, professor da Universidade da Corunha e antigo presidente da Junta da Galiza, e por Arlindo Cunha, professor da Universidade Católica e antigo ministro da Agricultura.

O relatório tem como objetivo disponibilizar instrumentos aos responsáveis municipais e aos agentes económicos e sociais para apoiar a definição de políticas de promoção económica à escala local. O estudo analisa o papel dos municípios no abastecimento alimentar, defendendo que estas entidades partilham com o Estado a responsabilidade pelo bem-estar das populações e devem integrar a alimentação nas suas áreas de intervenção.

O documento identifica várias medidas que podem ser adotadas pelas autarquias para apoiar a produção e o consumo locais, como a criação de hortas urbanas, a promoção de mercados reservados a produtores locais e a organização de feiras de produtos da região. Nas zonas rurais, estas iniciativas contribuem para o rendimento dos produtores e para a valorização da produção e da sazonalidade.

O relatório destaca ainda a necessidade de reforçar a organização da produção em territórios com pequenas propriedades, como a Galiza e o Norte de Portugal, através do apoio a cooperativas e organizações de produtores. Defende também a criação de circuitos curtos de abastecimento, com parcerias entre produção, comercialização e consumo, incluindo o fornecimento de cantinas públicas e instituições sociais com produção local. É ainda referido o apoio técnico aos agricultores, com financiamento dos programas Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC) de Portugal e de Espanha.

Durante a apresentação, o secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoán Vázquez Mao, sublinhou a importância das cooperativas, da identificação da origem dos produtos e do papel dos consumidores na escolha de produtos da sua região. Referiu ainda que o relatório constitui uma ferramenta de apoio à decisão municipal, baseada em dados, e apontou as dificuldades de acesso a estatísticas locais em Portugal. Anunciou a criação de uma base de dados com a informação dos relatórios do Eixo Atlântico, ao serviço de municípios, empresas e universidades.