Cher editou aquele que seria um dos seus álbuns de maior sucesso a 22 de outubro de 1998. Produzido entre os Estados Unidos e o Reino Unido, Believe é um marco nos estilos disco e eletrónica e transformou para sempre a cultura pop. À altura, no auge dos seus 52 anos, Cher liderou o top Billboard Hot 100 por quatro semanas com o primeiro single do LP.

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A faixa de abertura, Believe, é uma canção revolucionária e o tema mais conhecido da norte-americana. A introdução desta canção é icónica e, como a calmaria antes da tempestade, prepara o ouvinte para a explosão de energia que é a música. O uso artístico do autotune na voz inconfundível de Cher foi uma estreia para a altura, tornando-se o precursor de uma nova técnica de produção. Vinte e sete anos depois, o refrão “do you believe in life after love?” não sai das cabeças. Esta é uma primeira faixa perfeita, que encapsula todo o espírito do álbum em poucos minutos, sendo, por isso, um dos melhores singles alguma vez criados.

O foco deste álbum é com certeza os instrumentais. Dos sintetizadores, passando pela percussão e pelas teclas, tudo é planeado minuciosamente para o ouvinte querer exibir os seus melhores passos de dança. A lírica também não é má, só passa um pouco mais despercebida em comparação com os outros elementos. O amor é a temática que embrulha todo o álbum.

A segunda faixa, The Power, acalma um bocadinho os ânimos, buscando algumas influências à música gospel e defendendo que não há nada mais forte do que a paixão. Logo de seguida vem a energética Runaway que recupera o “efeito Cher” e é um tema irresistível que explora o desejo de fugir dos próprios sentimentos.

Em Strong Enough canta-se sobre recuperar de um coração partido. O ritmo disco cheio de groove é ótimo para “abanar o capacete”. Em todos os parâmetros, a canção motiva o ouvinte a tornar-se na sua melhor versão, no seu “eu” mais forte, e a procurar aquilo que lhe faz bem.

Believe é um álbum que reflete muito a época em que foi criado. Com tal afirmação não se quer dizer que as músicas estagnaram negativamente, apenas que, ao ouvir estas dez faixas, é-se levado emocionalmente para outra altura. Não são precisas bolas de espelhos no teto, nem espuma a subir do chão… Basta pôr este disco a girar para replicar a atmosfera dos anos 90.

No entanto, estas canções também não chegaram a envelhecer como um bom vinho. A principal crítica que se pode aplicar ao álbum é de este se tornar repetitivo. Escutar os graves nestas produções é agradável, até que se tornam numa dor de cabeça. Ouvir o timbre grave de Cher a cantar sobre o amor é cativante, até que fica irritante. Há tentativas de “cortar o palato” com canções mais calmas e acústicas, como Dov’è L’Amore. Porém, a segunda metade do álbum acaba por não se destacar muito devido às redundâncias sonoras.

Ao longo do álbum, canta-se sobre a procura incessante de um amor verdadeiro, até que se desiste desse rumo na canção derradeira. A décima faixa, um remix da música We All Sleep Alone, de 1987, tem um instrumental alegre e contagiante, mas, ao prestar atenção às letras, a canção torna-se mais melancólica. Há um contraste de sentimentos nesta canção que é interessantíssimo. No final, ocorre um fade out do instrumental e, progressivamente, são feitas as despedidas ao projeto.

Mesmo com defeitos, é inegável a inovação que este álbum trouxe para a indústria musical. O disco cria uma atmosfera leve e positiva. Believe é uma boa recomendação para festas entre amigos, ou apenas para passar um serão divertido.