O mais recente êxito de Josh Safdie, Marty Supreme, é um drama imersivo movido a excesso de energia, ambição e ego. A longa-metragem chegou aos cinemas a 22 de janeiro e conta a história de Marty Mouser, um jogador de ténis de mesa profissional que procura desesperadamente atingir a grandiosidade.

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O filme não é uma história de sucesso tradicional, mas antes o retrato de um homem obcecado em provar o seu valor, mesmo quando isso implica a destruição das suas relações pessoais. A genialidade, quando desprovida de disciplina e autocontrolo, pode tornar-se uma força destrutiva.

A estrutura do filme é deliberadamente desordenada, privilegiando a intensidade sobre a clareza. A narrativa anda aos solavancos, ao ritmo do próprio Marty, repleta de momentos inesperados ao longo de todo filme, e é isso que torna esta obra tão única e divertida. Todo este caos é um reflexo da personagem principal, um homem com falta de disciplina emocional e estrutural, sempre a reagir por impulso. O filme conta com uma das melhores atuações da vida profissional Timothée Chalamet como Marty, que sustenta o filme por completo ao incorporar o uma personagem altamente egocêntrica e obsessiva.

Marty Supreme constrói um retrato de uma masculinidade assente na performance constante e na necessidade excessiva de validação. Marty aparenta encarar as pessoas à sua volta como obstáculos para o seu sucesso. Kay Stone e Rachel Mizler, personagens interpretadas por Gwyneth Paltrow e Odessa A’Zion, respetivamente, espelham o seu narcisismo e incapacidade de intimidade genuína.

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A dinâmica entre Wally, trazido à vida por Tyler, The Creator, e Marty evidencia como a personagem principal tende a ver o outro pela sua utilidade no seu percurso pessoal, nunca lhe atribuindo o devido valor. Já a relação entre Marty e Koto Endo, interpretado por Koto Kawaguchi, é das mais interessantes do filme: este não funciona como um antagonista tradicional, considerando que, enquanto Marty cria uma rivalidade com ele, Koto demonstra uma total indiferença pela personagem principal. Ele revela aquilo que Marty nunca será: consistente, disciplinado e sereno. Marty Mouser acredita que o mundo gira em torno da sua narrativa pessoal, e Koto Endo prova o contrário.

O filme acaba por manter uma relação ambígua com o protagonista, oscilando entre a crítica ao seu carácter e uma certa glorificação do seu comportamento. O espectador encontra-se num limbo entre o ódio a Marty pela sua pessoa e escolhas, e torcendo também pelo seu sucesso em certos momentos do filme.

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Marty Supreme é mais um filme sobre as consequências da ambição desmedida do que sobre talento inato e triunfo. Com uma realização caótica e uma atuação sensacional de Timothée Chalamet, o filme é uma experiência imperdível que não convida à admiração, mas sim à reflexão sobre o preço de viver sempre em função da vitória.