O novo filme de Maggie Gyllenhaal, A Noiva!, é uma reinvenção do filme, A Noiva de Frankenstein (1935), de James Whale. Na mais recente longa-metragem, Frankenstein pede à Dr. Euphronius ajuda a encontrar uma esposa. Os dois adquirem um corpo de uma mulher assassinada e revivem-na. O surgimento da Esposa marca a Chicago dos anos 30 com uma onda de romance, mudanças sociais e interesse da polícia.

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A proposta de Gyllenhaal não é fazer um remake do filme original, mas antes mostrar a sua visão da obra. Como tal, o seu olhar do material original poderia desencadear uma magnífica nova versão da história da Noiva de Frankenstein ou simplesmente ser mais um filme que aborda a aventura deste clássico. O resultado parece ser o de uma obra que terá tendência para ser esquecida, visto que nenhum dos aspetos do filme se destaca o suficiente, com a exceção da atuação.

Colocar a autora do livro Frankenstein (1818) como a narradora da história, que após a sua morte conta uma nova história, é interessante, visto que permite fazer comentários metalinguísticos. No entanto, a execução deste conceito não é feita da melhor forma, uma vez que é confuso. A narrativa também parece estar atrapalhada sobre o que quer ser, sofrendo de uma crise de identidade. Num momento quer tentar emular o tom mais sombrio dos filmes clássicos dos monstros, noutro já está num road movie com momentos de comédia caótica e ainda tenta incluir uma cena digna de um musical.

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As discussões que a realizadora tenta abordar da obra também não passam de um prato vazio sem comida para o preencher. Neste caso, os temas das obras são superficiais: a Noiva causa uma revolução feminista que pouca ou nenhuma relevância tem para a história como um todo. 

A estética do filme é também inconsistente, dado que conta com cenários retirados dos anos 30 e com um toque noir, como é o caso do laboratório da Dr. Euphronius, mas em outras situações não é nada de especial. Desta forma a obra não aproveita a estética dos anos 30 para criar uma obra visualmente interessante. Como tal, a direção de arte é mais um dos pontos em que é demonstrada a inconsistência da obra.

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A atuação destaca-se no meio de tantos pontos negativos. Jessie Buckley é brilhante do começo ao fim do filme: como Noiva começa por interpretar uma figura frágil, que ao longo da obra vai ficando impulsiva, mas que é marcada por momentos emocionantes. Já Christian Bale traz uma personagem que se apaixona perdidamente pela Noiva e, embora a sua atuação seja boa, o ator não a leva mais além. Como tal, esta versão da personagem Frankenstein não é memorável.

A Noiva! tenta reinventar uma obra clássica e parte com ideias boas e ousadas. Mas, à medida que a estória se desenvolve, o ponto de partida perde-se, visto que se alia a uma execução péssima que desperdiça o seu elenco e o potencial que a longa-metragem poderia ter.