Marco da comédia dos anos 90 e da carreira do famoso Jim Carrey, A Máscara encontra o seu nicho combinando as gargalhadas dos filmes da época e físicas cartoon fantásticas. Dirigida por Chuck Russell, o brilho desta aventura lúdica está no astro principal e na forma exagerada com que o seu ator o interpreta, com charme e atitude a transbordar.
A estória, inspirada no personagem da Dark Horse Comics, segue a perspetiva de Stanley Ipkins, um consultor de banco e desafortunado no amor, protagonizado por Jim Carrey. Nem mesmo o bom humor consegue salvá-lo de se sentir ridicularizado por todos à sua volta, até um dia vislumbrar a sua cara-metade e encontrar uma estranha máscara que flutuava à costa de Edge City. É este acessório que levará o ingénuo Stanley a encarar um esquema de gangsters corruptos, enquanto vive à noite uma vida de diversão amalucada e de prazer imediato.
A marca comercial do filme, para além da performance de Carrey, sempre foi o estilo visual bizarro que acompanha o protagonista. Ao Máscara não se aplicam as leis do mundo real, evidente nos seus movimentos e habilidades que o fazem parecer um personagem tirado de um desenho animado. O enredo também é contaminado pelo caráter extrovertido desta versão de Stanley, tornando a própria narrativa em algo mais virado para os risos do que para a seriedade.
A atuação icónica de Jim Carrey é outro pilar que torna esta comédia tão memorável. A capacidade do ator de destacar as diferenças entre Stanley e o Máscara, juntamente com a caracterização absurda do segundo, fazem-no a estrela do espetáculo. Cada vez que entra em cena, a ação dispara para o nível seguinte e o ritmo acelerado e caótico é contagiante de assistir. Até mesmo o espectador que não se atrai pelo humor insólito pode deixar-se levar pelo carisma que Carrey coloca em cada interação que tem, seja ela direcionada a um personagem do filme ou ao próprio visualizador.
É uma pena que o anti-herói de cara esverdeada seja de tal modo cativante que os restantes planos da estória mal se sustentam sem ele. São bem construídos narrativamente, mas chegam a parecer algo puramente acessório em certos momentos. As cenas dedicadas à gangue criminosa, por exemplo, dependem bastante do envolvimento da personagem principal, como se servissem um papel de transição obrigatória para o próximo momento em que o Máscara rouba os holofotes. O terceiro ato, apesar de tenso, sofre de fazer os vilões pouco inteligentes e ameaçadores, consequência da natureza cómica do filme. Excetuando os antagonistas, as personagens aliadas de Stanley ainda interagem de forma mais profunda, mesmo que não ao nível do protagonista.
O clássico de 1994 captura o caráter do típico filme cómico da década de 90, mas nem por isso deixa de ser único. O enredo molda-se à forma e comportamento do Máscara, o que leva a uma série de desventuras propositalmente disparatadas. O humor do filme é um veículo para uma mensagem importante de autoaceitação, e a estória é simplificada em favor dessa mesma comicidade. A Máscara não se leva a sério: o espectador deve divertir-se na companhia da obra, de preferência, enquanto não aplique muita lógica ao que vê.
Título Original: The Mask
Realização: Chuck Russell
Elenco: Jim Carrey, Cameron Diaz, Peter Green, Peter Riegert
País de Origem: EUA
Data de Lançamento: 29 de julho de 1994





