De acordo com o grupo Repórteres Sem Fronteiras (RSF), mais de 210 jornalistas foram mortos na Faixa de Gaza em quase 23 meses de operações militares israelitas e pelo menos 56 desses foram intencionalmente alvos do exército. Mortos em campo, friamente deixados em montes de terra, longe das suas famílias, estes heróis “invisíveis” pairam naquele território em ruína.

Milhares de pessoas morrem todos os dias num conflito que dura há mais de dois anos e, neste momento, nem a oportunidade de recordá-las parece possível. Aqueles que escolheram amar a sua profissão e não deixar o seu povo cair no esquecimento são também esquecidos, completamente apagados, para não sobrarem provas do puro genocídio que está a acontecer neste preciso momento.

São estas almas que ficam para trás na História, apenas porque alguém detém o direito (e parece não querer ser impedido) de destruir vidas. Os bombardeamentos, as terríveis condições onde tantos vivem, o perigo de extinção de um povo, deixam aos poucos de ser noticiados. Se o jornalismo desaparecer destes locais, estes deixarão, lentamente, querendo ou não, de pertencer à História e de ocupar um lugar no nosso pensamento.

Isto não se deve inteiramente à caraterística que o ser humano possui de esquecer rapidamente algo que não o afeta, mas sim ao facto de ser através dos Média que conhecemos o nosso mundo. Os ditadores, quer dizer, os “presidentes da paz e liberdade”, sabem-no bem, portanto, atacar as fontes de informação, atualização e exposição parece o caminho certo a tomar.

O jornalismo de guerra nunca foi só sobre atualizar o mundo. É o fio que liga toda a humanidade e que permite que nada seja omitido. Desde as intermináveis horas de viagem para expor a realidade, a arriscar as suas vidas enquanto mantemos as nossas em segurança, a deixar as suas famílias para trás enquanto nós cuidamos das nossas. Tal como dito na gala dos 33 anos da TVI, os jornalistas são “a voz que a guerra não cala, os olhos que a guerra não seca, o coração que a guerra não tolhe”.

Dentro da escuridão e do que parece estar perdido, a comunicação social ergue-se e prossegue forte. De acordo com o RSF, no dia 1 de setembro de 2025 vários países e meios de comunicação condenaram os crimes cometidos pelas Forças de Defesa de Israel (IDF), contra repórteres palestinianos. Exigiram, também, que a imprensa estrangeira tivesse acesso à Faixa de Gaza. Mas nada acontece. Seremos seres humanos adormecidos, egoístas, despreocupados?

Não deixemos que se apaguem evidências de dor, fome e medo, que se silenciem as testemunhas e que se repita a História. Anas Ghneim, Mohammed Salah Qashta, Mariam Abu Dagga, Hussam Al-Masri, Abdoul Raouf Shaath, Moath Abu Taha e Ahmed Abu Aziz. Digam os seus nomes, eternizem as suas almas, interiorizem a sua bravura, honrem a sua vida. Relembrem quem lutou e quem deu um passo em frente, firme, e se opôs ao mal.

“Acidentalmente”, aqueles que partilham testemunhos vivos de que o massacre em Gaza é real, estão a ser eliminados à luz do dia, sem hesitação. Que a comunicação social nunca deixe apagar as suas vidas. Que honremos sempre a força e a coragem destas pessoas e que, por elas, lutemos todos os dias para trazer a mudança.

Na hora da verdade, é em reportagens que nos baseamos, é a imagens que recorremos e é em entrevistas que confiamos, por isso, valorizemos a comunicação! Usemos a nossa voz para a proteger, cuidar, apoiar e lutar pelos direitos e liberdades de todos, pois, afinal de contas, todos sangramos o mesmo vermelho.