Meses após lançar o álbum “Bossa Sempre Nova” juntamente com Roberto Menescal e Toquinho, Luísa Sonza volta ao pop naquele que diz ser o seu “disco mais pessoal e difícil de ser feito”.

Sony Music

Luísa Sonza já fazia prever o que esperar do seu próximo projeto. Era o aguardado regresso ao pop e a presença da bossa nova (novo estilo querido pela cantora) que iriam pintar a tela de Brutal Paraíso. A primeira faixa, o interlúdio “DISTRÓPICO”, é uma pequena amostra da produção que rodeia a obra, repleta de apontamentos marítimos, batidas urbanas e ruídos disfuncionais.

O primeiro bloco de músicas é o mais sofrível. “Fruto do Tempo” soa como uma fraca repetição de “Onde É Que Deu Errado?” de 2024. “Amor, que pena!”, mais à base da bossa, falha na sua monotonia. Por fim, “E agora?” com o rapper Xamã é pouco mais interessante.

A partir da quinta faixa, “Brutal Paraíso” começa a ganhar forma. “Loira Gelada” é uma releitura do clássico da banda RPM. A junção do rock ao pop oitentista traz o disco para um lugar mais cativante. “Santa Imaculada” joga na mesma área, com uma letra provocativa (“Pois toda a santa é maculada”) e batidas agitadas.

https://youtu.be/WqCYnnPDDfw?si=ZZSCrNKC15faREk5

Diferentemente” mostra uma perspicaz utilização da bossa nova. A sua mistura com o pop soa fresca, ao mesmo tempo que Luísa descreve o atual namorado de forma bem-humorada (“Até que é bonitinho, mas é muito engomadinho”). A canção seguinte, mais calma e romântica, destina-se à mesma pessoa. “É que eu tô naquela altura em que já não vivo sem você // E enquanto eu acordar, sei que sempre será meu amanhecer” repete-se pelos refrões levemente interpretados.

Segue-se o bloco mais frenético do álbum. “Tropical Paradise” tem uma ótima troca de batidas que contagia quem a ouve. “Safada”, com Young Miko, não parece acrescentar grande valor ao conjunto, ao contrário do que acontece com “French Kiss”, colaboração com Mc Paiva ZS. O featuring tem uma estrutura que vai do storytelling ao funk dançante. Fazendo-se acompanhar de MC Meno K e Mc Morena, surge “Sonhei Contigo”, uma divertida música que tem momentos em inglês e outros em português. Uma agradável surpresa. “Telefone”, o lead-single, é uma das melhores faixas mais bem conseguidas.

No Es Lo Mío”, uma aposta no espanhol, torna-se na sua grande parte aborrecida. A parceria com o colombiano Sebastián Yatra “Tu Gata” explora de forma pobre a harmoniosa fusão das vozes dos dois.

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O último bloco de músicas é mais intimista. Começando com “Doce Mentira”, que aborda um amor ardente e tem uma produção dinâmica e envolvente. A descrença no amor é expressa em “Que O Amor Morra”, faixa promissora no seu início. “O Som Da Despedida”, “Quando” e “A Vida Como Ela É” contam com composições honestas, melodias espaçadas e um tom mais reflexivo. Tudo culmina na fantástica “Brutal Paraíso”. Com aproximadamente sete minutos, Sonza vai contando a sua história de vida numa música que dedica à sua sobrinha. “Hoje é por mim que eu canto” e fá-lo nesse momento com uma belíssima letra onde a poética escrita da autora se mistura com a sua humanidade.

Luísa Sonza possuía o objetivo de mostrar tudo aquilo de que era capaz no mesmo álbum, resultando num desconexo grupo de músicas onde algumas brilham, mas são abafadas por outras completamente descartáveis. “Brutal Paraíso” faz vislumbrar a evolução musical de Luísa Sonza, num pop mais maduro que se une ao rock e à bossa nova. Apesar da negligente filtragem, a nova era da artista soa como um lugar diferente, não propriamente um “paraíso”, mas com certeza brutal.

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