O espetáculo insere-se no programa "Dançar na Primavera".
Sexta-feira, 24 de abril, o Theatro Circo foi palco de “Como una baguala oscura”. O espetáculo de dança contou com a conceção e encenação de Nina Laisné, coreografado e interpretado por Néstor Pola Pastorive. A peça pretende homenagear a obra da pianista argentina Hilda Herrera.
“Foi uma espécie de epifania, mas não uma epifania celestial. Muito pelo contrário. A sensação era totalmente terrena, enraizada na paisagem argentina onde os ramos das árvores choram ao vento.”
Assim, aquando da estreia do espetáculo em 2024, é como Nina Laisné descreve a primeira vez que assistiu um concerto de Hilda Herrera quando tinha apenas nove anos. Com este espetáculo, a encenadora pretende dar uma nova abordagem à música da pianista e prolongar o seu trabalho.
Néstor Pastorive funde o zapateo argentino com influências do flamenco e da dança clássica. Utiliza elementos tradicionais do folclore argentino, como as boleadoras no malambo, e elementos naturais da América do Sul, de que é exemplo a planta Hierba de las Pampas. Também foram incorporados elementos cénicos, como a areia e um tronco de árvore gigante que tem um papel protagonista em cena e atua como palco para o dançarino.
Outro elemento que ocupa um espaço significativo no palco é um quadro. Neste são projetadas entrevistas à pianista, intercaladas com os momentos de dança, e vídeos de ela própria a tocar. Nestes, Hilda Herrera fala sobre a sua carreira, as suas inspirações, os desafios que passou pela censura da ditadura militar argentina e o desejo que sempre teve de tocar música folclórica sem guitarra e sem bombo: unicamente com o piano. O espetáculo culminou com uma ovação de pé de maior parte da sala.


