Na segunda temporada de Demolidor: Nascer de Novo, Matt Murdock (Charlie Cox) tenta encontrar uma forma de tirar o presidente Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio) do poder e, assim, derrubar o seu regime. O Demolidor e o Rei do Crime mantêm uma rivalidade com mais de 11 anos, iniciada na primeira temporada de Demolidor. Já a atual temporada pretende dar um desfecho para a conturbada relação das duas personagens.

A nova temporada é superior à anterior, visto que consegue equilibrar melhor a sua história. Enquanto na primeira temporada existem diferentes histórias unidas por uma fraca cola, que não consegue juntar bem as diferentes peças, a segunda temporada é o oposto, uma vez que a narrativa é mais coesa e interligada.

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Os dois primeiros episódios são introdutórios, o que faz com que sirvam para reintroduzir as diferentes personagens e mostrar como se encontra a cidade de Nova Iorque sob a mão do temido Wilson Fisk. É a partir do terceiro episódio que as coisas começam a acelerar, com uma sequência de ação que finaliza o episódio em grandiosidade. O quarto episódio continua a elevar a fasquia, com destaque para a moral completamente distorcida de Bullseye (Wilson Bethel), a perda do amor de Fisk e a fé de Matt. O quinto episódio é uma homenagem à série original e os três últimos episódios constroem um desfecho épico para esta temporada.

No entanto, a temporada continua com alguns problemas, como a estética, que é inconsistente. Em alguns momentos, os enquadramentos e o color grading estão muito bem conseguidos, mas, noutros, são descuidados, o que pode dececionar o espectador, dado que não cria uma identidade visual coerente. As coisas ficam piores no episódio cinco, que replica a estética da série original, e fica claro como esta nova versão é bastante inferior. A iluminação das cenas do flashback chama a atenção do olhar, bem como os enquadramentos. Uma coisa a destacar é a mudança do aspect ratio nos momentos em que o Demolidor usa os seus sentidos aprimorados, dado que é uma ótima forma de mostrar os poderes da personagem, tirando partido do que uma obra audiovisual tem a oferecer.

Um outro problema herdado da primeira temporada é são as personagens. Nota-se que o argumento aprofunda algumas delas relativamente à primeira temporada. Daniel (Michael Gandolfini) e Buck (Arty Froushan) são mais desenvolvidos, mas outras personagens simplesmente existem para fazer andar o guião, como é o caso de Cherry (Clark Johnson) e Jessica Jones (Krysten Ritter). Esta situação demonstra que ter muitas personagens e apenas oito episódios é insuficiente para desenvolvê-las a todas e retira o potencial narrativo da sua presença na série.

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O protagonista Matt Murdock apenas reage aos eventos da história, tendo poucos momentos para ser aprofundar a sua história. Mas, no oitavo episódio, as coisas mudam e Charlie Cox mostra como, mesmo após 11 anos, merece estar no papel de Demolidor. A cena da discussão entre Matt e Fisk é fenomenal: dois homens que, por conta do ódio um pelo outro, já perderam algumas das coisas mais importantes das suas vidas. Cox consegue demonstrar o cansaço sentido por Murdock e a vontade de acabar com tudo de uma vez por todas, ao ponto da personagem tomar uma atitude que mudará para sempre a sua vida. Não é só Cox, mas também D’Onofrio, Deborah Ann Woll e Wilson Bethel que entregam atuações fantásticas. D’Onofrio traz uma vulnerabilidade para o Rei do Crime nunca antes vista, Woll explora uma Karen com um dilema sobre matar ou não Fisk e Bethel simplesmente brilha como o sanguinário Bullseye.

As cenas de ação e a banda sonora também são pontos bastantes positivos. A ação é boa e criativa, com destaque para a cena final do episódio três, a cena do Bullseye do episódio quatro e a batalha entre o Rei do Crime e Demolidor no episódio seis. Todas estas cenas são bem coreografadas e empolgantes. A banda sonora mantém a excelente qualidade das outras temporadas, auxiliando na construção da tensão da narrativa.

A segunda temporada de Demolidor: Nascer de Novo melhora relativamente à sua primeira temporada, mas ainda tem alguns aspetos a aprimorar, como o argumento e a fotografia. Assim, apesar da melhoria, a nova temporada continua sem conseguir atingir o patamar de excelência da primeira e terceira temporada da sua série antecessora Demolidor.