Os últimos meses para o clube merengue têm sido um pouco, para não dizer muito, atribulados. A caminho da segunda temporada consecutiva sem títulos, o ambiente dentro do balneário madridista está de cortar à faca. Rüdiger agrediu Carreras, vários jogadores estão de costas voltadas com o treinador Arbeloa e Valverde e Tchouaméni desentenderam-se por dois dias consecutivos. Este último foi descrito internamente como o confronto mais grave já visto em Valdebebas, do qual resultou o transporte para o hospital do uruguaio, após escorregar e bater com a cabeça numa mesa.
Convém recordar que há não muito tempo, mais precisamente em 2023/2024, o Real Madrid conquistou a La Liga, a Liga dos Campeões e a Supertaça, vencendo o seu arquirrival, o FC Barcelona, por 4-1. Tudo corria às mil maravilhas para o conjunto blanco e, com a chegada de Kylian Mbappé, acreditava-se que ninguém conseguiria fazer frente ao poderio merengue. E a verdade é que o Real Madrid começou a temporada 2024/2025 como acabou a anterior. De medalha ao pescoço e com mais um troféu, neste caso a Supertaça Europeia, para colocar nas vitrines do museu do Santiago Bernabéu. Mal se sabia que, num período de quase dois anos, os madridistas conquistariam apenas mais uma Taça Intercontinental.
É certo que todos os clubes têm altos e baixos, mas para um clube habituado a ganhar ano sim ano sim, esta era “Mbappé” tem-se revelado catastrófica. Tudo começou com a “reforma” de Toni Kroos em 2024. Quem vê os jogos do Real, repara certamente que falta alguém que dite os ritmos do jogo e que ponha gelo no encontro quando assim é necessário, precisamente papel que o maestro alemão fazia com tanta clarividência. Era um autêntico relógio suíço.
Ancelotti não resistiu aos maus resultados de 2024/2025 e acabou por ser substituído por Xabi Alonso. A metodologia de trabalho do técnico espanhol é consideravelmente diferente da do italiano e isso causou insatisfação dentro do balneário. Alonso nunca teve apoio total dos jogadores, que se queixavam do excesso de informação que recebiam e consideravam os treinos extremamente táticos.
Um caso bem elucidativo dessa falta de apoio ocorreu no primeiro El clásico da época. Vinicius Júnior foi substituído aos 72’ e foi direto para balneário, numa altura em que os merengues estavam a ganhar por 2-1. O descontentamento do brasileiro era tal que chegou a dizer que deixava a equipa. Há teorias que afirmam que este momento marcou um antes e um depois na temporada do gigante espanhol. Aliás, nos princípios de novembro, Xabi Alonso proferiu uma frase que abriu uma ferida que nunca mais foi sarada. Saturado com a falta de intensidade e com as más caras dos jogadores, disse que “no sabía que venía a entrenar a una guardería” (não sabia que vinha treinar uma creche). A passagem do treinador basco pelo Real Madrid estava, assim, condenada ao fracasso.
E acabou mesmo com a derrota contra os culés na Supertaça espanhola e, claro, com mais uma polémica à mistura. Mbappé fez um gesto a pedir à equipa para que não fosse feita nenhuma homenagem aos campeões, enquanto Xavi Alonso pedia exatamente o contrário.
O astro francês é outro foco de controvérsia. Ninguém questiona a qualidade individual do camisola 10 dos merengues, porque esta época em 41 jogos marcou 41 golos. Números só ao alcance de atletas fora de série. A questão é que a equipa parece funcionar melhor sem ele e as suas atitudes fora de campo não passam despercebidas para os madridistas. A viagem do gaulês até Itália há bem pouco tempo — quando estava a recuperar de uma lesão — não foi bem recebida nem pelos adeptos nem por toda a estrutura do clube, incluindo os jogadores. Inclusive, foi criada uma petição online que pede a saída de Mbappé dos blancos e que conta com cerca de 70 milhões de assinaturas.
Para o lugar do ex-treinador do Bayer Leverkusen veio Álvaro Arbeloa, mas o cenário não mudou de figurino. Logo na estreia, foi eliminado da Copa do Rei pelo Albacete. Entretanto, foi igualmente afastado da Champions e deixou escapar o Barcelona na disputa pela La Liga. E as polémicas continuam e não se sabe quando vão parar. Só resta dizer – Real Madrid, quem te viu e quem te vê.


