O Dia Internacional da Mulher na Engenharia visa destacar o contributo das mulheres empregadas no setor.
As mulheres representam cerca de 25% dos trabalhadores no setor das engenharias em Portugal, segundo um estudo de 2025 do Instituto Superior de Economia e Gestão. Para Isadora Carvalho, vice-chair do comité do programa do IEEE UMinho Student Branch, organização que reúne estudantes de vários cursos de Engenharia, os desafios de ingressar numa empresa têm vindo a diminuir progressivamente para as engenheiras. Ainda assim, Isadora salienta que “é difícil atingir um cargo alto e com salário igual ao de um homem”.
O Dia Internacional da Mulher na Engenharia assinala-se anualmente a 23 de junho, desde 2017, com o principal objetivo de promover a diversidade de género no setor. Em breve finalista da licenciatura em Engenharia Biomédica na UMinho, Isadora Carvalho destaca que “ter um grupo com diversidade de géneros ou etnias não serve só para uma foto bonita: tem motivos por trás”. A presença de mulheres na Engenharia é essencial para “ver uma perspetiva da população que antes não era tão vista e facilitar a sua vida através de soluções que pensem nela”, como refere a estudante.
O IEEE UMinho Student Branch vai dinamizar o projeto Women in Engineering, já existente noutras instituições de ensino superior, no próximo mandato. Segundo a atual vice-chair, espera-se “trazer o debate sobre o que é ser mulher dentro da Engenharia”. O plano é estimular o contacto com empresas “que reconhecem a luta das mulheres”, a organização de workshops e debates e o desenvolvimento de soft skills, não excluindo os homens.
Apesar dos progressos, Isadora Carvalho sublinha que, para as jovens que querem seguir o ensino superior, “a escolha da Engenharia ainda é muito enviesada”. A estudante de Engenharia Biomédica partilha que escolheu o curso pela proximidade com as áreas de Medicina e Enfermagem, que considera serem percecionadas como mais femininas. De acordo com os dados e estatísticas da Direção-Geral do Ensino Superior, 68% dos inscritos nesta licenciatura da UMinho são do sexo feminino. No outro lado da moeda está Engenharia Eletrónica Industrial e de Computadores, com 11% de mulheres num universo de 319 estudantes.
“Todas as áreas tiveram um momento em que apenas os homens podiam trabalhar, mas o setor da Engenharia foi aquele a que as mulheres demoraram mais a ter acesso”, salienta Isadora Carvalho, dando ainda o exemplo da atual escassez de mulheres na área da inteligência artificial. Para Isadora, que nunca teve uma engenheira na família, ter saído do Brasil para estudar Engenharia Biomédica na UMinho é “um sinal de liberdade e uma forma de demonstrar capacidade”.


