Lançado em 1991, Fried Green Tomatoes, ou Mulheres do Sul em português, é o epítome de uma história sobre o amor entre mulheres. Dirigido por Jon Avnet, o filme obteve duas nomeações aos Prémios Óscar.
A abolição do Código Hays em 1968, que proibia a representação queer no grande ecrã, não impediu que as produtoras se mantivessem reticentes quanto a este tipo de histórias. Influenciado pelo movimento independente New Queer Cinema dos anos 90 e baseado no livro de 1987 da autora Fannie Flagg, o filme surge como uma versão autocensurada e codificada da sua versão literária.
Durante a longa-metragem acompanhamos Evelyn (Kathy Bates), uma dona de casa num matrimónio monótono com um marido desinteressado, que se culpa pelo estado da sua relação. Quando visita uma familiar do seu marido num lar, conhece Ninny (Jessica Tandy), uma mulher significativamente mais velha do que ela. Ninny, de forma inesperada, decide contar-lhe a história de duas mulheres que geriam um café na sua aldeia no Alabama quando esta era mais nova, na época da Grande Depressão.
Estas duas mulheres são Idgie Threadgoode (Mary Stuart Masterson) e Ruth (Mary-Louise Parker), cuja história ocupa a parte central e, definitivamente, a mais memorável do filme. Ambas as protagonistas percorrem diversas aventuras ao longo da história, desde jogar basebol bêbedas com os clientes de um bar até ver-se envolvidas na investigação de um assassinato.
É nesta parte do filme que surge a codificação queer. Apesar de, no livro, as personagens serem explicitamente um casal, no filme passam, pelo menos para os mais despistados, como meras melhores amigas. Porém, o simbolismo, o subtexto do filme e a atuação de Masterson e de Parker tornam a relação sáfica mais do que evidente
Ainda que a fotografia da obra não ressalte ao olhar e embora a autocensura mantenha ambígua a relação de duas das protagonistas, o filme faz um trabalho estelar na sua crítica social. Além da temática feminista das histórias das personagens principais, outra parte central é o racismo. Durante toda a narrativa sucedida entre as décadas de 20 e 30, vemos a discriminação racial e a presença do Ku Klux Klan (KKK), que desempenha um papel de destaque no conflito da obra.
Outro elemento que se destaca na longa-metragem é o seu repertório musical. A banda sonora exalta os momentos de tensão e aquece os momentos acolhedores.
Com tragédias inesperadas, injustiças sociais, momentos acolhedores e inspiradores, a obra é capaz de despertar com sucesso sentimentos como tristeza, felicidade e frustração. Fried Green Tomatoes é, em essência, um filme sobre o amor entre mulheres, seja romântico ou platónico, e da sua capacidade transformadora, que critica a impunidade dos privilegiados.
Título Original: Fried Green Tomatoes
Realização: Jon Avnet
Argumento: Fannie Flagg e Carol Sobieski
Ano de Lançamento: 1991
Elenco: Kathy Bates, Jessica Tandy, Mary Stuart Masterson, Mary-Louise Parker





