“Honeymoon” é o quarto álbum da cantora que já nos habituou à sua estética e voz diferenciadora capazes de nos levar numa viagem de reflexão e de nos imergir numa energia quase nostálgica e por vezes, até obscura. Lana Del Rey é uma artista consistente que mantém a sua identidade inconfundível em todos os projetos. Embora explore diversos temas, regressa sempre àquele núcleo familiar que conhecemos tão bem: o amor, a desilusão e a nostalgia. E “Honeymoon” não é exceção.

A artista partilhou numa entrevista que este disco pretende ser um tributo a Los Angeles, refletindo a sua paixão pela cidade e pelo ambiente que a rodeia. Se o ouvirmos com essa premissa em mente, percebemos isso mesmo: todas as faixas mantêm a assinatura da cantora, mas conseguem dar a este álbum uma personalidade própria.

With 'Honeymoon,' Lana Del Rey further tightens control of her image - Los Angeles TimesWith 'Honeymoon,' Lana Del Rey further tightens control of her image - Los Angeles TimesWith 'Honeymoon,' Lana Del Rey further tightens control of her image - Los Angeles TimesWith 'Honeymoon,' Lana Del Rey further tightens control of her image - Los Angeles Times

LA Times

A experiência começa logo com a faixa-título, “Honeymoon”, uma abertura suave e calma que dita o tom melancólico e sonhador a que estamos habituados. Ao longo do alinhamento, passamos por paisagens sonoras muito diversas. Temos momentos de pura introspeção e maior lentidão, como em “Terrence Loves You”, que no final ganha uma carga dramática digna de banda sonora de filme, ou “God Knows I Tried”, uma faixa reflexiva.

Por outro lado, o disco sabe introduzir frescura e uma maior animação quando é preciso: “High by the Beach” traz uma batida bem notória, quase mais eletrónica e moderna, enquanto temas como “Freak”, “Religion” e o grande destaque do álbum, “Art Deco” apresentam melodias cativantes e sonoridades enigmáticas que nos prendem às faixas.

Sobra ainda espaço para pormenores curiosos, como o interlúdio “Burnt Norton”, de apenas um minuto e 21 segundos, em que Lana recita os famosos versos iniciais do poema homónimo de T.S. Eliot (1935).

 

A viagem continua numa musicalidade densa com “Salvatore”, “The Blackest Day” e “24” (um pouco mais longa e ritmada), destacando-se na progressão dramática de “Swan Song”, uma faixa que começa minimimalista depois culmina na batida característica da artista. O álbum fecha com “Don’t Let Me Be Misunderstood”, a versão de Lana para o original de Nina Simone de 1964. A cantora consegue apropriar-se totalmente da canção, mantendo a sua identidade, mas adaptando o ritmo para a sua individualidade musical reconhecida.

No fundo, todas estas músicas partilham uma atmosfera um pouco obscura que, misturada com a nostalgia e com a intensidade dos temas amorosos, proporciona-nos uma entrada imersiva na forma muito própria como Lana Del Rey vive o amor, os desgostos e tudo o que isso implica.

Com o décimo álbum de Lana del Rey, Stove, a ser lançado em princípio ainda este ano, revisitar um álbum como Honeymoon serve precisamente para nos lembrar porque nunca baixamos as expectativas em relação à sua música: a identidade inconfundível que se apresenta sempre, intocável.