É uma casa portuguesa com certeza

Não são paredes, móveis ou portas. É um espaço de histórias que se servem à mesa, que se guardam nas prateleiras e que marcam presença sem precisar de voz. Há objetos que decoram, sabores que confortam e tradições que dão vida a um lugar onde o passado e o presente convivem diariamente.

Há sempre um Bacalhau à espera de uma ocasião especial.

Um Pastel de Nata que desaparece mesmo antes de arrefecer.

E porque as coisas simples sabem sempre melhor, um pedaço de Pão condenado a ser mergulhado no Azeite.

A história de um país, além dos livros, também pode ser conhecida através dos Padrões de Azulejos imortalizados na porcelana, transformando arte em identidade.

O Caldo Verde, que fica mais completo com as generosas rodelas de chouriça, aquece as noites, enquanto um cálice de Vinho do Porto convida a prolongar a conversa. E porque a amizade também se brinda, há sempre uma Cerveja bem fresca para dizer: “entra, estás em casa”.

Entre o barro e o aroma, o Arroz de Pato não alimenta apenas o corpo: desperta lembranças que nunca perdem o sabor.

As Cinco Quinas despertam em dias de festa, ressoam nos estádios e arrepiam sempre que Portugal se orgulha de si.

Depois há aqueles detalhes que só reparamos de vez em quando: a Loiça de Natal guardada 365 dias para um único jantar, a coleção de Copos de Shot e o frigorífico coberto de Ímanes que funciona quase como uma checklist de sítios visitados.

Num canto da casa, o Galo de Barcelos continua a ser símbolo de sorte, honra e fé. Lá fora, as Festas Populares, como o São João, enchem as ruas de música, cor e encontros.

E, para adocicar a vida de qualquer um, nunca faltam os Doces Típicos, entre eles massa pães, cavacas e tantos outros que sabem a infância.

Porque uma casa portuguesa não se mede pelos metros quadrados nem se define pelo que tem, mas pelo que representa, pelas receitas que passam de geração em geração e pelos pormenores que nos fazem sentir em casa.

Se, ao olhares para estas fotografias, reconheces um pouco da tua casa, da casa dos teus avós ou daquela onde as melhores memórias foram criadas, então a resposta é simples:

É uma casa portuguesa, com certeza

E é, com certeza, uma casa portuguesa

 

Um dia no rio

O dia começa cedo. A cozinha transforma-se numa linha de montagem para preparar o almoço e, num instante, apanha-se umas ameixas da árvore cheia no jardim. Há uma urgência boa em carregar a arca azul com gelo, cervejas o almoço e algo mais porque “vamos ter fome”.

O convite é simples, uma mensagem “Rio?”

E a resposta aparece em bando. Miúdos, graúdos e a cadela a abrir caminho pelo monte. E ainda é só meio dia. Em fila, uns atrás dos outros, a avisar das teimosas silvas. E de chinelo no pé.

O resto é só a calma de uma tarde de verão. Água limpa e gelada e o sol a queimar a pele. Duas tábuas de madeira na maior árvore das “Sumidas”, a lançar o desafio. Uns saltam sem pensar, outros ganham coragem no topo das árvores, mas todos acabamos no mesmo sítio e da mesma forma: fato de banho fora de sítio e um sorriso na cara. Ele acolhe toda a gente e toda a gente quer lá estar. No final do dia, arca mais leve, toalhas e olhos mais pesados, cabelos molhados e bochechas vermelhas. A vida á tão simples e tão boa.

Um dia bonito. Um dia no rio.

Feito por Catarina Coelho e Marta Cardoso