Supergirl traz-nos Kara Zor-El como protagonista no novo Universo DC. Em vez de seguir a fórmula habitual dos filmes de super-heróis, a narrativa aposta numa aventura mais pessoal. Acompanhamos a personagem numa jornada repleta de desafios, perdas e descobertas, enquanto procura encontrar o seu lugar num universo que lhe parece cada vez mais estranho. Ao longo do caminho, enfrenta inimigos poderosos, cria novas ligações e aprende que ser uma heroína vai muito além da força ou dos poderes que possui.

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Apesar de manter a essência de um filme de super-heróis, Supergirl procura explorar o lado mais “humano” da personagem. Kara não é apresentada como uma heroína perfeita e invencível, mas como alguém que também sente medo, culpa, frustração e vulnerabilidade, o que permite criar uma protagonista mais próxima do público.

Um dos maiores pontos fortes da obra é a decisão de fazer da relação entre Kara e o seu cão o centro da narrativa. Uma vez que a motivação dos heróis passa quase sempre por salvar um familiar, um amigo ou toda a humanidade, esta escolha consegue surpreender.

O filme transmite a ideia de que um animal não é apenas um companheiro, mas um verdadeiro membro da família. Para milhões de pessoas, um cão representa amor incondicional, lealdade e companhia, e Supergirl retrata esse vínculo com enorme sensibilidade.

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Em momento algum tenta diminuir a importância dessa relação ou sugerir que salvar um animal é menos significativo do que salvar uma pessoa. Pelo contrário, mostra que o heroísmo nasce do amor e da vontade de proteger aqueles que mais significam para nós, independentemente da espécie. É uma mensagem simples, mas poderosa. Os personagens da história não tentam fazer com que ela mude de ideias, nem tentam insinuar que ela está a fazer demais por um simples animal.

Visualmente, o filme também apresenta um excelente nível técnico. A fotografia consegue criar ambientes belíssimos, alternando entre cenários grandiosos e momentos mais intimistas. Os efeitos especiais são consistentes e as sequências de ação oferecem um bom equilíbrio entre espetáculo e emoção, sem depender exclusivamente da destruição em grande escala. A banda sonora acompanha bem os momentos dramáticos e ajuda a reforçar a identidade da personagem ao longo da narrativa. Contudo, apesar destes aspetos positivos, Supergirl está longe de ser uma longa-metragem perfeita e apresenta vários problemas que impedem que alcance todo o seu potencial.

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O primeiro prende-se com o ritmo do filme que é bastante irregular. A primeira metade dedica muito tempo à construção do universo e das emoções da protagonista, enquanto a segunda acelera de forma brusca, resolvendo vários conflitos importantes num curto espaço de tempo. Algumas revelações e decisões mereciam mais desenvolvimento para que o público pudesse sentir verdadeiramente as consequências daquilo que acontece. Em vários momentos, a sensação é a de que determinadas cenas foram encurtadas ou eliminadas para reduzir a duração da obra.

As personagens secundárias representam igualmente uma oportunidade desperdiçada. Algumas são apresentadas com bastante potencial e parecem destinadas a desempenhar um papel relevante na história, mas acabam por servir apenas como apoio à protagonista. Falta-lhes desenvolvimento, objetivos próprios e momentos que permitam criar uma ligação emocional com o público. Isso faz com que certas relações pareçam superficiais e que alguns momentos dramáticos não tenham o impacto que poderiam alcançar.

Outro aspeto negativo é a existência de algumas soluções demasiado convenientes ao longo do argumento, uma vez que certos problemas são resolvidos com excessiva facilidade. Isso reduz a tensão narrativa e faz com que o espectador nunca sinta verdadeiramente que a protagonista corre o risco de falhar, já que basta estar sob o sol amarelo e é imparável.

Por fim, uma das decisões mais polémicas do filme diz respeito à própria caracterização da Supergirl. A escolha de apresentar Kara como uma personagem muito mais nova do que o Superman desagradou a muitos fãs da personagem. Embora existam diferentes versões desta relação ao longo das várias continuidades da DC, nos comics clássicos Kara Zor-El é a prima mais velha de Kal-El, tendo apenas chegado mais tarde à Terra, devido ao tempo que passou em animação suspensa durante a viagem.

O filme opta por apresentar uma Supergirl muito mais jovem, impulsiva e inexperiente, alterando uma dinâmica que faz parte da identidade da personagem. Esta decisão não compromete totalmente a história, mas acaba por retirar alguma da maturidade que sempre distinguiu Kara.

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No geral, Supergirl é uma longa-metragem visualmente impressionante e emocionalmente bem conseguida. Apesar de um argumento irregular, de personagens secundárias desaproveitadas e de algumas escolhas discutíveis relativamente à adaptação da protagonista, consegue destacar-se pela mensagem que transmite. Num género frequentemente dominado por ameaças apocalípticas e batalhas gigantescas, é refrescante encontrar uma história que lembra que o heroísmo também existe nos gestos mais pessoais e simples.

O amor por um animal de estimação é retratado com respeito e autenticidade, mostrando que proteger quem faz parte da nossa família, independentemente da sua espécie, pode ser tão nobre quanto salvar o mundo. É precisamente essa mensagem que permanece na memória quando os créditos finais terminam.