Uma versão de “Hamlet” marcada pelo humor, pela música e pela contemporaneidade

Na passada quarta-feira, dia 2 de setembro, a adaptação de Alexej Schipenko da tragédia shakespeariana “Hamlet” regressou ao palco do Theatro Circo. A produção, interpretada pela Companhia de Teatro de Braga, tinha sido acolhida também na sala principal em julho deste ano.

O espetáculo apresenta uma visão moderna do clássico de Shakespeare, criando, através das personagens, uma dualidade entre o mundo virtual, retratado por Hamlet e Ofélia, e o mundo real, representado pela mãe e pelo padrasto do protagonista. De bicicletas e telemóveis a cocaína, os adereços espelham igualmente este traço contemporâneo. 

Embora exprima seriedade em certos momentos, a peça afasta-se da melancolia do enredo original, adicionando-lhe algumas pitadas de humor. O elenco, composto por André Laires, Carlos Feio, Eduarda Filipa, Rogério Boane e Solange Sá, transmitiu este tom mais leve e fez ecoar gargalhadas na plateia.

A inclusão da língua inglesa, para além da portuguesa, deu origem a diversas passagens musicais. Temas como “Fuck the government, I love you” de The Burning Hell e “Come Wander with me” de Jeff Alexander, trouxeram uma nova dinâmica ao espetáculo, envolvendo o público e aproximando-o da narrativa.

A cenografia consiste numa tela digital que muda de imagem na transição entre os quatro capítulos da produção. O figurino, por sua vez, estabelece um ponto de encontro entre a estética da época shakespeariana e a da modernidade.

Schipenko encena, assim, uma adaptação de “Hamlet” que mantém apenas os elementos fundamentais da obra e cria uma interpretação que escapa do convencional. O retorno aos palcos confirma o sucesso alcançado pelo espetáculo.